O papel das flores

Quem não gosta de receber flores, não é? Sim, sim, elas são efêmeras… às vezes caras… e, por isso, muitas vezes, têm um ar de desnecessárias, de um capricho das mulheres… coisas similares, mas, é importante lembrar, que elas eternizam momentos. É muito difícil esquecer o motivo que inspirou a compra de flores e a emoção de seu recebimento. Se esses atos foram feitos com carinho e amor, as recordações são mais fortes ainda. É incontestável a beleza das flores em um jardim, em um parque ou canteiro e as tarefas bio(eco)lógicas que desempenham na natureza, mas é inegável que elas prestam muitas funções na sociedade humana quando estão na condição de desenraizadas. Os portugueses, por exemplo, jamais irão esquecer o papel que os cravos prestaram para todos os cidadãos que viviam sob um regime governamental opressor, pois ajudaram a restaurar a democracia e a liberdade obliterada, quando na ponta dos fuzis dos soldados, no dia 25 de abril de 1974, marcaram um dia de revolução feito em clima de paz, sem o sacrifício de vidas. No Brasil, em plena ditadura militar, o compositor Geraldo Vandré, quando quis falar de flores, foi exilado e nos faz lembrar, com a sua linda canção “Caminhando (Para não dizer que não falei de flores)” (1968), da tristeza, dos horrores desse período e da certeza de nunca mais os brasileiros aceitarem passar por isso novamente, se é que aceitaram um dia. As flores também estão presentes nos cemitérios e nos casamentos, ou seja, nos ritos de passagem de uma condição de vida para a outra (para aqueles que acreditam que a morte é apenas uma passagem), servindo para celebrar a recepção ou a despedida de determinado estado. Apesar de Cartola (cantor e compositor brasileiro) dizer que “as rosas não falam”, para mim, elas dizem muita coisa. À base de muitas pétalas de rosas espalhadas por todo o assoalho, fui recebida no meu novo lar. Como se pode ver, o perfume e a beleza das rosas ainda inspiram os mais criativos e surpreendentes gestos de amor, como esse, que certamente povoará minha memória, e a de quem as ofereceu para mim, para sempre.

(leia mais sobre a Revolução dos cravos)

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