Três vezes Pessoa

                                

Conheci, finalmente, o interior do Mosteiro dos Jerónimos, localizado em Belém, Lisboa. Uma sumptuosa construção de finais do século XV que guarda os restos mortais de personagens portuguesas cujo nome e obra as tornaram gigantes: Camões, Vasco da Gama e Fernando Pessoa. Por falar em Fernando… A pessoa do Pessoa era fisicamente frágil, mas a sua inteligência era tão magnânima que tinha de ser divida por três maravilhosas e diferentes personalidades, os seus heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos). Em seu túmulo podemos ler as seguintes incrições:

“NÃO BASTA abrir as janelas
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e flores”.
(20.4.1919 – Alberto Caeiro)

“PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
(14.2.1933 – Ricardo Reis)

“NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer”.
(1923 – Alvaro de Campos)

Fiquei extremamente emocionada de estar próxima dessas figuras que fizeram brotar lindamente a última flor do Lácio, que é a Língua Portuguesa.

 

5 thoughts on “Três vezes Pessoa

  1. Imagino a emoção!!!
    Sou fã de Camões, muito mesmo, mas confesso que Pessoa, para mim, é uma PESSOA, ou melhor três, como disse tão bem.
    O que mais me encanta é o fato de que cada pessoa do Pessoa é única, é um eu-poético mágico e intenso…
    Ele faz o que pensa: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”
    E realmente a alma dele era grande, digna de uma grande pessoa, ou melhor, de um grande Pessoa!!!

  2. Nossa, que legal, Sandra! Deu água na boca de conhecer o mosteiro também. Adoro o Camões e sou suspeita para falar do Pessoa.

    Lindo!!

  3. Eu quero ir!!!!!

    Nossa, essas citaçoes sao maravilhosas!! Na época da universidade eu li a obra toda do Pessoa e realmente é maravilhosa.

    que passeio legal esse seu!

    beijos

  4. Para completar o post, acrescento um trecho da música “Língua” de Caetano Veloso:
    “Flor do Lácio, Sambódromo, Lusa-américa latina em pó, o que quer, o que pode essa língua?”

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