Ciranda de Pedra

Terminei de ler o livro da Lygia Fagundes Telles, Ciranda de Pedra. Fiquei estimulada por não poder assistir à novela (2008, de Alcides Nogueira) que é uma adaptação do livro e também passa aqui em Portugal (começou em Junho). Lembro-me vagamente de sua primeira versão (1981, de Teixeira Fialho) e das maravilhosas músicas, pois minha mãe tem ainda um LP de vinil de sua trilha sonora.

Gostei muito do livro, embora seja quase um bla-bla-bla sobre a personagem Virgínia e suas decepções diante da vida. Apesar disso, sou uma pessoa não muito corajosa para ler, mas “devorei-o” em um final de semana. Queria sempre saber, saber e saber o que estava para acontecer na página seguinte até que… Acabou. A autora tem uma fórmula muito simples e eficiente de prender a atenção do leitor e constrói imagens que saem mesmo de dentro de nossas retinas. Personagens e paisagens passeiam e movimentam-se diante de nossos olhos durante a leitura.

A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. (trecho do livro)

A novela possui personagens que não constam no livro. É como se seus autores tivessem as suas impressões sobre os bonecos de pedra da ciranda do jardim da casa do “pai” de Virgínia, Natércio, e criassem um universo para cada um, recheado de pessoas com quem se cruzam e de ações que formam as suas personalidades (Virgínia efabula que essas cinco figuras são suas irmãs, Bruna e Otávia, e os seus amigos, Letícia, Afonso e Conrado). Depois de ler a história, deu vontade também de escrever uma novela (perfeitamente adaptada a atualidade), inventando hipóteses e fatos do passado que fizeram com que as personagens do livro tivessem determinadas posturas perante a vida. Embora haja um ar de romance cor-de-rosa, colorido pelas mãos de Virgínia (cujo nome já denuncia sua possível ingenuidade), há também espaço para a homossexulidade, traição e loucura na obra.

A ficção de Lygia reflete com delicadíssima sutileza as profundas mutações sociais da época, com destaque para a ruptura dos condicionalismos que relegavam as mulheres ao silêncio e à passividade, mas a atemporalidade da sua escrita conquistou-lhe um lugar de destaque no âmbito da literatura de língua portuguesa contemporânea. (Editorial Presença)

7 thoughts on “Ciranda de Pedra

  1. Excelente este post! Aguçou a minha curiosidade de ler o livro também. Adoro a novela, mas ainda acho que muita coisa tabu poderia ser tratada com uma nova leitura. Eu era criança quando a 1ª versão foi ao ar e lembro de como a temática era chocante para a época. Minha mãe não nos permitia assistir televisão à noite, mas lembro que eu gostava da abertura. Essa e “A Sucessora” eram grandes sucessos na época.

    Bjo!!

  2. pelo q vc conta, me parece q o livro é bem mais interessante q a novela. perdi a vontade de vê-la. parece se arrastar em certos personagens, sei lá.

    talvez o leia.
    beijos.
    e obrigada pela msg!

  3. Sandra

    Geralmente,as novelas que são adaptadasde livros ,prejudicam o teor literário que o livro nos proporciona!

    beijos amiga!

  4. Ciranda de Pedra foi o primeiro romance que li, devia ter uns 13 para 14 anos, fiquei encantada com Virginia, seus conflitos, sua irmãs, seus cunhados, suas paixões, lembro-me desta personagem de um modo marcante, fiquei assustada com a homossexualidade de uma das personagens, apreciei o romance de um modo tão delicado, tão profundo, para min este vai sempre estar estampado na minha memória. A novela também é intrigante, porém não tão interessante quanto o livro.

    Ana Luísa Nardin

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