*Do livro ao filme

ensaio-sobre-a-cegueira-poster092Ainda não entrou em cartaz em Portugal o filme “Ensaio sobre a cegueira“, do cineasta brasileiro Fernando Meireles sobre a obra, de mesmo título, do português José Saramago. Já ouvi diversos boatos sobre a excelência do filme. Comecei a ler o livro e estou gostando imenso e curiosíssima para saber onde tanta cegueira vai me levar, eheheheh. Nos primeiros capítulos não parava de coçar os olhos, eheheheheh, de tão entretida que fiquei.

129945_1Hoje li uma entrevista no jornal O Público (encarte Ipsilon) sobre e com o autor do livro, em que vários críticos literários fazem um paralelo entre a versão escrita e a cinematográfica da obra e afirmam que ambas são duas verdadeiras obras de arte e se complementam. Sobre o aspecto da violência, Saramago acrescenta que o livro até parece mais violento que o filme.

A entrevista com o autor é também sobre a sua mais recente publicação “A viagem do elefante”, escrito em um período que esteve entre a vida e a morte. Afirma que o enredo é uma metáfora da vida e os críticos dizem ser este um dos melhores romances desde que ganhou o prêmio nobel de literatura. Pelo que pude ler no jornal, já sei que esse não vai ficar de fora de minha lista bibliográfica.

3 thoughts on “*Do livro ao filme

  1. Ah, o Ensaio sobre a cegueira é mesmo uma obra de arte. Achei a adaptação fantástica, mas ainda não tive a oportunidade de lê o livro. Minha orientadora disse que a violência que recebeu muitas críticas do público internacional é três vezes maior no livro, principalmente com relação ao estupro das mulheres.

    Fico pensando se, de certo modo, a violência constante a que somos expostos no Brasil, de certo modo, torna subliminar a violência ficcional. Isso é um problema, pois tenho receio de que passemos a achar a barbárie uma coisa “normal”. Esta cena dos estupros provocou um sentimento de grande rejeição em mim. Quase saí do cinema, porque me senti tão humilhada quanto aquelas mulheres. Foi horrível, ao mesmo tempo que vi nelas exemplos de uma força divina e inesgotável pela sobrevivência. A cena também une o universo feminino no filme, em companheirismo, luta e fé. Elas ficam extremamente machucadas, mas se erguem com uma força extrema. Foi esta a cena que chocou platéias estrangeiras, como a canadense e a francesa, e o próprio Fernando disse, numa entrevista a Marília Gabriela, que o filme foi muito criticado em Cannes por causa desta cena em especial.

    Vale muito a pena assistir. O filme iconiza dualidades e mostra que é preciso perder a visão de si próprio para poder enxergar o outro.

    PS: Imagina você ficar com ciúmes dos amigos. Você é e sempre será o meu diamante! Não conheço na vida pessoa mais sensível, interessada, dinâmica, inteligente e motivada quanto você. És a minha Sandroca nº 1!!!

    Bjo!

  2. Sandra, chorei muito quando vi o filme. Chorei de alegria – um misto de ternura e desolamento.
    O engraçado é que a crítica dos americanos com relação ao filme foi com relação à cegueira – os cegos americanos acharam que o filme era preconceituoso com os deficientes visuais. Pura burrice. Pouca capacidade de abstração. Os americanos não entendem metáforas… Aliás, pura cegueira.
    Meireles consegue trazer à tona o ditado popular: “em terra de cego, quem tem olho, é Rei”. Mas, às avessas: sou realmente um Rei? Ou sou um cego que enxerga a cegueira dos outros? E quando a cegueira some? Quem sou eu?

    Enquanto o olhar se investe da atmosfera única da presença, a paisagem estreita e o horizonte delineia um traço próximo… Tão próximo que o contorno próprio esfumaça e corrói.
    Ampliar o olhar é necessário.
    Ou, como Meireles prega: abandonemos nossa cegueira e sejamos o olho do outro, mas não a ponto de nos tornarmos cegos.

    Te amo muito.
    Tuca.

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