Júlias

Escultura Musa Impassível (Francisca Júlia) de Victor Brecheret, exibida na Pinacoteca do Estado de São Paulo

Escultura Musa Impassível (Francisca Júlia) de Victor Brecheret, exibida na Pinacoteca do Estado de São Paulo

A obra “Anthologia Brasileira: selecta em prosa e verso de escriptores nacionaes”, organizada pelo Prof. Eugenio Werneck, foi premiada com medalha de ouro na exposição industrial de Petrópoles, em 1918. Composta por 172 autores, 152 excertos em prosa, 165 excertos em verso, 120 retratos e 667 páginas, foi aprovada e mandada adotar nas escolas do Distrito Federal, aprovada pelos conselhos superiores de instrução dos estados do Rio de Janeiro, Minas, Pará, Paraná e Santa Catarina. Sua primeira publicação, em 1900-1901, em comemoração ao 4º centenário do Brasil e com o objectivo de tornar a conhecidos, admirados e amados os escritores nacionais e suas obras. Sua publicação teve um imenso sucesso e sua 13º edição é de 1929, a qual tive acesso.

Além de ser um exemplar raro, o que mais me chamou a atenção foi o fato de entre os 172 escritores, apenas 4 serem mulheres e muito respeitosamente chamadas de “dona”
Julia Lopes de Almeida

Julia Lopes de Almeida

No final do século XIX e início do século XX, não era de bom tom as  mulheres dedicarem-se aos afazeres da escrita e a instrução feminina era voltada para a formação de boas donas de casa. D. Adelina Lopes Vieira (Lisboa, 1850 – ?), que não ficou mais conhecida do que a sua irmã, D. Júlia Lopes de Almeida (Rio de Janeiro, 1862 – 1934) (não teve lugar na Academia Brasileira de

Francisca Júlia da Silva

Francisca Júlia da Silva

 Letras, embora tenha trabalhado avidamente para a sua abertura, por ser mulher, mas, talvez em sua homenagem, tenham nomeado o seu marido, o escritor Filinto de Almeida), D. Francisca Julia da Silva (S. Paulo, 1871 – 1920) e D. Julia Cortines (Rio Bonito, RJ, 1868 – 1948), venceram barreiras sociais, fizeram história entre os nomes mais importantes da literatura brasileira desse período e revolucionaram, como lhes foi possível, o universo feminino, o que lhes fez valer um espaço entre a pléiade masculina detentora dos ofícios da pena na época. Leia mais no interessante trabalho de Cátia Toledo Mendonça sobre D. Júlia Lopes de Almeida: “Júlia Lopes de Almeida: a busca da liberação feminina pela palavra” (Revista Letras, Curitiba, 2003). Vale a pena conhecer um pouco mais sobre essas surpreendentes mulheres.

3 pensamentos sobre “Júlias

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