Mar de passado

Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB
Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB

Escrevo este post da casa de minha mãe, na Paraíba. Agora, já estou sem meu marido, num momento metade da laranja, pois já acabaram as suas férias e ele teve de voltar para Portugal, onde estarei brevemente. Há dois anos não vinha em minha cidade natal. Tudo muda muito rapidamente aqui (mais prédios, mais hoteis, mais academias, mais igrejas protestantes, outros bares…). O cenário está em constante movimento, embora a cabeça das pessoas, suas ideologias e preferências, continue a mesma. Achei tudo mais caro e vi muitos estabelecimentos comerciais fechados. As dificuldades por emprego também são grandes ainda. Há dois anos, quando tive de viajar para Recife para apanhar o avião internacional, o que me tira a vontade de vir apesar da saudade arrebatadora, a BR estava em obras para ser duplicada. Recentemente, fiz o mesmo percurso e ainda falta muito para a situação se normalizar. Sem aeroporto internacional e com estradas ruins, não há investimento estrangeiro, crescimento do turismo e a cidade acaba por ser esmagada entre Natal e Recife, o que me deixa muito triste. As pessoas fazem por onde tentar crescer economicamente, mas o governo não ajuda e a falencia é uma consequência óbvia.

Apesar disso tudo, gosto muito de estar aqui. Revi meus familiares e amigos queridos, inclusive a minha amiga real/virtual Rose e seu marido JP (deram-me os livros da Stephenie Meyer <Twilight>. Adorei demais!!! Obrigada!!) e minha querida amiga Juliene, seu filhinho e sua adorável família. Todos me receberam com pompa e circunstância e ganhei lindíssimos presentes. Infelizmente, não os correspondi à altura, pois não trouxe presentes e lembranças para todos, como gostaria. Fico devendo esta! Sou muito desajeitada para isso. Mesmo assim, espero que saibam que eu os quero muitíssimo bem e que todos moram em meu coração. Meu sobrinho, agora com quatro anos, fala “pelos cotovelos” e já até me fez chorar de emoção. É uma criança muito educada e feliz. Ainda vejo coisas que deveriam ser mudadas ao meu redor, mas não tenho mais direito a intromissão, pois não pertenço mais a dinâmica desse universo. Comemorei, juntamente com meus familiares, a mais uma conquista da minha irmã mais nova: uma segunda formatura universitária.

Muito de meus pertences ainda recheiam a casa, embora muitos já tenham sido vendidos, distribuídos e ido para o lixo. Mergulho sempre em um mar de passado quando chego cá. Dessa vez, deu-me uma pontadinha de tristeza e decepção de ver que minha mãe se desfez de livros da nossa casa, coleções que me acompanharam durante toda a minha vida e de meus irmãos, porque teve de mudar de casa e não os podia transportar. É a vida… as mudanças abrem sempre espaços em nossos corações. Muitas coisas têm mesmo que ser largadas pelo caminho para que outras possam entrar sem interferências.

4 thoughts on “Mar de passado

  1. Engraçado que eu, sendo de São Paulo e morando em Salvador, já sinto tanta diferença por ficar 6 meses fora ‘de casa’. Sinto o mesmo que você: tudo muda, mas as cabeças das pessoas continuam sempre iguais. Sabe se lá por que. rs

    um beijo!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s