Um sonho além mar

Não é novidade para ninguém a crise econômica que assola Portugal. Em decorrência disso, muitos imigrantes estão regressando aos seus países, fugindo de condições socioeconômicas que não justificam a pena de estar longe de familiares e de seus costumes. Muitos brasileiros, por exemplo, vêm para Portugal com a intenção de pôr a vida em suspenso e só trabalhar, trabalhar, trabalhar para ganhar dinheiro e voltar ao Brasil. Outros vêm com a intenção de começar em Portugal e depois desbravar a Europa. Outros vêm com o sonho de encontrar um príncipe/princesa europeu/europeia. Enfim, são muitos os sonhos/necessidades que motivam a saída de uma pessoa de seu local de origem, mas, o que é verdade, é que poucos conseguem levar os objectivos pretendidos até o final, sem se envolver com pessoas, coisas, linguagem, com o dinamismo da vida e do lugar que se vão empregnando em nossa rotina sem nos apercebermos. Imigrei há seis anos por motivos pessoais, não financeiros. Encontrei e encontro inúmeras dificuldades profissionais. Dei muito “murro em ponta de faca” e fui me espalhando por outras áreas, tentando driblar as dificuldades. Desde que estou aqui, já voltei, a passeio, várias vezes ao Brasil. Cada vez que vou, sinto-me mais desambientada. Chego a conclusão que imigrar é um assunto muito sério, porque a uma dada altura, ficamos despatriados, perdidos, não somos caipirinha e nem somos vinho. Sou casada com um português e, por opção, não estou envolvida em nenhuma comunidade brasileira. Isso talvez dificulte mais a minha adaptação. Bem, só tenho a dizer que a realidade é dura. Se alguém quiser o meu conselho: Tentem alternativas financeiras dentro do Brasil, primeiro, antes de entrar nessa aventura que talvez não haja volta psicológica. Tudo é muito difícil, mas… não é impossível. A felicidade e os sonhos estão ao alcance de todos.

11 thoughts on “Um sonho além mar

  1. Sempre tive o sonho de sair do Brasil. Acho que de tanto querer muito isso, todas as coisas que a minha vida me oferece me forçam a ficar aqui. Já sou um pouco viajante pois, em sendo filha de militar, viajei pra muito lugar diferente dentro do próprio Brasil. Hoje, posso dizer que sinto falta da minha terra natal, meu Recife e meu Pernambuco queridos. Continuo na Paraíba porque essa vida toda minha começou aqui, mas sinto falta das minhas pessoas, dos cheiros das comidas, do ar, do sol, da alegria descomedida do meu Pernambuco. Por causa da extrema violência, prefiro continuar por aqui, pois segurança é algo que valorizo também (apesar de nunca ter sofrido violência em Recife e aqui sim). Mas João Pessoa não é, definitivamente, o meu lugar. Não gosto do comportamento das pessoas, não gosto do pensamento delas, não gosto da falta de dinamismo, não gosto da carranquice dos pessoenses (apesar de amar muito os poucos e bons amigos que fiz aqui).

    Então, saudade é sempre algo que existe, dentro ou fora do Brasil. Este ano, estou aprendendo com amigos outros que o Brasil é um lugar bom, mas acredito que para nos encontramos como brasileiros, precisamos sair daqui um pouquinho, voltar antes de endurecer e tentar ser feliz com aquilo que temos.

    Parabéns pelo texto!

    1. Sempre tive dificuldade de me integrar com as pessoas de João Pessoa, apesar de meus 28 anos de vida terem sido integralmente passados lá. Sinceramente, acho que as pessoas têm obrigação de se locomoverem, de conhecerem as coisas, até para poderem criticar depois. No Brasil, viagens ainda é um grande tabu. As pessoas querem passar muito tempo nos lugares e é preciso sempre uma grande quantidade de dinheiro. As malas, nem se falam, de tão grandes. Sei que tudo é muito caro e que o Brasil é muito grande e… lindo. Aqui na Europa, acho que as pessoas odeiam os lugares onde vivem, pois a primeira oportunidade, vão passar um fim de semana aqui, acolá, uma semaninha, dois dias… and so on. É preciso criar a cultura da viagem. Sempre aprendemos qualquer coisa onde quer que estejamos. Esforce-se mais, Rose, que você consegue sair do Brasil, para passear (depois decide se quer imigrar ou não). João Paulo deveria tentar uma bolsa sanduiche, ai, você viria com ele. Bjs.

  2. Nem bem lembro como descobri seu blog e sempre leio, fato é que sempre tive muita vontade de viver em outras terras, mas o tempo está passando e cada dia mais rápido e ainda não vivi essa aventura. Quando aos meus vinte e poucos anos nem era bem o lado financeiro que ditava essa vontade, mas a ânsia de um viver mais amplo, mais internacional, mais justo e principalmente mais cheio de oportunidades e confortos. Por vários motivos aqui permaneço, consegui um bom salário, um relativo conforto, tive filha, cachorros, casas e a família está se extinguindo, mamãe se foi, marido se foi, filha também decidiu rápido passar um tempo no velho continente, e eu aqui ainda com 5 pets, tenho pai e familiares distantes de onde moro. E vejo em muitos blogs as pessoas que foram viver em outro país vivendo um dilema, se fica ou se retorna, parece que o maior peso é o financeiro, outros falam da alegria brasileira, da fácil convivência, saudade da família e amigos,da praia,do sol…mas quando partiram não abriram mão de tudo isso? Por algo naturalmente que acreditavam ser mais importante naquele momento, talvez não por toda vida, acredito. O que sei é que tendo estado aqui até meus 5.7anos, sinto o mesmo dilema, porque não fui antes morar fora? agora está tudo mais complicado, pai muito idoso, 5 pets, casa montada e o sentimento que o meu lugar não é aqui,onde tenho muito medo da violência, onde os serviços que preciso são precários, onde a justiça é falha, onde só tenho obrigações de pagar impostos e nenhum retorno, onde pago tudo caríssimo e sou mal servida, onde não posso contar com a polícia pra me proteger e nem advogado pra confiar, sinceramente, acredito que mesmo sendo uma imigrante, estando na casa alheia, terei mais dignidade, porque os governantes aqui não estão nem aí pros brasileiros e nem para o Brasil. Escolheria Portugal pela língua e o Sol presente e não dependeria de emprego ou os EUA pela sua praticidade de estilo de vida e pegar a fluência no idioma. Mas o visto de residência não é algo fácil. No fim dá no mesmo dilema, que saiu e quem deixou de sair do país.
    Gostei do que escreveu, mas penso que se você voltar, vai estranhar muiiiiito!!!!

  3. Só passei seis meses fora, mas sei bem do que fala, Sandra. Pensamos que as vantagens sociais e organizacionais de outros países compensarão a falta dos nossos e que nos permitirão ter um novo lar, mas é não é tão simples assim. Conheci brasileiros imigrados no Canadá, mas percebi que serão sempre estrangeiros, apesar do esforço enorme de alguns para não demonstrarem isso. Infelizmente, é uma relação natural e cultural que se cria por si só. Também percebi, com eles, que o Brasil não é mais o lugar deles. Então, prefiro pensar que agora são viajantes, aventureiros em busca do lugar ao sol, da felicidade que não encontraram na sua pátria.
    Diferente de Rose, sempre gostei de João Pessoa e das pessoas daqui (que são poucas, pois muitas estão aqui, mas vieram de outro lugar), e passei a valorizar ainda mais esse jeito de capital provinciana depois do tempo fora. Amei poder andar em qualquer horário sem me preocupar com a violência, da agilidade e eficiência dos serviços urbanos e do retorno evidente dos impostos pagos, mas demorei a me acostumar com a ‘distância’ característica de outros povos (digo isso não falando só dos canadenses, mas de várias outras culturas, porque, em Montreal, você convive com pessoas de todos os lugares). Sim, porque, apesar de tão grande, quando estamos fora, o Brasil se torna uma unidade que faz a diferença entre nós e os outros, que também se tornam um. Então, percebi que, dentro do Brasil, nossas diferenças se tornam imensas, mas fora, são apenas detalhes!
    Hoje, passada a experiência, vejo que essa diferença aguça a curiosidade do lidar, viver e perceber o outro, e, principalmente, implica aceitá-lo, estabelecer laços, independente do lugar. E acredito que isso é o ponto chave, pois só conseguimos nos sentir em um lar quando encontramos uma família para formá-lo. E, se essa minha suposição for correta, agora você tem dois lares, um cá e outro além mar, e pertence aos dois, por isso terás sempre que estar a viajar…
    Saudades!!!

    1. Viajar é muito bom. Sair do Brasil também é muito bom, mas… para passear primeiro. Sair do país pela primeira vez e logo ter a ideia de imigrar, para mim, é uma proposta meio alucinada. Essa é uma decisão que precisa de ser estudada, porque existem muitos custos para a vida, além do financeiro.

  4. Sandra, querida… o seu post é uma mega verdade. Às vezes não me sinto de lugar nenhum. E agora que passei 5 dias em Londres tô com um bichinho aqui dentro querendo me levar pra lá… rsrs
    Também não faço parte de nenhuma comunidade brasileira aqui em terras lusas, mas me sinto integrada à sociedade. Todos os meus amigos são portugueses e até trabalho com alguns brasileiros, mas a afinidade é mesmo com pessoas daqui.

    Realmente viajar dentro do Brasil é um tabu, mas eu acho que isso tem mais a ver com a condição financeira das pessoas e do custo elevado que é viajar pra dentro do Brasil. Na minha lua de mel (2006) ponderamos fazer algo mais barato, e pensamos numa viagem pro Nordeste… Menina, a gente ficou chocado quando vimos que ficaria mais barato ir pra Barcelona!!
    Lógico que na época o Euro estava quase 4×1, mas já tínhamos gasto tanto com o casamento, e a viagem em si ia ficar mais barata indo pra fora do Brasil, então embarcamos pra conhecer Lisboa e Barcelona. Aí me apaixonei por Lisboa e em dois anos estávamos morando aqui.
    Agora eu tô apaixonada por Londres. Continuo amando Lisboa, mas sabe aquela paixão que arrebata a gente? Pois é… Isso porque tudo aquilo que é difícil pra um brasileiro em Portugal (a xenofobia principalmente) não acontece lá. Fui tão bem tratada, todos são tão educados, as pessoas são de bem com a vida, o céu até tava azul! rsrs

    Voltar pro Brasil não está nos meus planos. Não me adaptaria novamente à realidade do carioca que tem que sair de casa às 7 da manhã e enfrentar transporte lotado e trânsito para chegar às 9 no trabalho. Muito menos à violência. Essa eu tô totalmente fora.
    Mas me adaptaria tranquilamente à Londres. Caetano fez jus à música que compôs. Eu não entendia muito bem o que ele queria dizer com a letra até estar lá.

    Beijo grande!

    1. Ai, Carol, que inveja de você… Quero tanto conhecer Londres… Agora só quando a minha mini crescer mais um bocadinho. Tinha vontade de conhecer Paris, lá já fui… três vezes. Gostei e gosto muito. Agora quero ir para desfrutar do lugar, sem tá preocupada em ir para a Torre, para o Louvre, essas coisas, porque Paris tem de ser vivido, comido, temos de ver paredes, sentir aromas e essas coisas. É difícil abraça-la de uma vez só. Ainda tenho nas veias a vontade de turista em Londres. Andar de duble bus, ir ao museu de cera, tirar milhoes de fotos na frente do palácio e… comprar mil biblelôs londrinos. Aliás, tenho fascínio pela Inglaterra e pela Itália. Tenho vontade de ir a várias cidades, não só às capitais. É uma questão de tempo. Já comprei um milhaeiro (ai, nunca sei dizer e nem escrever essa palavra, eheheheh) no formato de um duble bus, para me inspirar. Vá passear pelos lugares e lá volte muitas vezes. Aproveite enquanto é nova, enquanto não tem filhos, enquanto tem emprego, essas coisas.

  5. OLA, SERA QUE VOCE PODERIA ME AJUDAR EM UMA QUESTÃO….sou brasileiro, casado com uma portuguesa, tenho cartao de residencia obtido atravez do casamento, sera que posso visitar um amigo na Suiça somente com esse documento……..FICO GRATO SI PUDER ME AJUDAR.

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