Um peixe morre pela boca

peixinhoSou geminiana e, como muitos devem saber, este signo tem um enorme potencial para a comunicação. Seu lema costuma ser: “Quem tem boca vai a Roma”. Bem, no meu caso… violo tais habilidades de forma brutal e transformo essa sentença em “Um peixe morre pela boca”. Primeiramente, tenho um pânico de comunicar para plateias. Tremo tanto que dou lições a varas verdes. Tenho vontade de falar, de soltar o verbo para todos ouvirem. Imagino-me já na gloriosa cena, mas… quando chega a acção, borro-me toda. Tenho 4… anos (não interessa a ninguém o outro número, ok? Aqui não é revista Caras! Eheheheh), nunca fui à Roma e, senhoras e senhores, a fala é a minha maior fonte de martírio. Há coisas que digo que, sinceramente, gostaria de nunca ter dito e… como já disse e não há nada a fazer, tenho uma vontade imensa de saltar para frente de um comboio. Sou uma doente-verbal, eheheheheheh. Arrependo-me menos das coisas que faço do que das coisas que digo (há dias que solto umas opiniões que não sei de que parte de meu corpo sairam, sinceramente… Depois, apercebo-me da diarreia verbal proferida e só falto morrer por dentro de vergonha de mim mesma). E… quando alguém reforça a minha falha dizendo: “É, realmente, não devias ter dito aquilo…” Olho para um lado e para o outro, chego até a ouvir o piuíiiiiiii, mas o maldito comboio nunca aparece para livrar-me daquela aflição que se apodera de mim, eheheheheh (exagero danado, não é? Pois…). Ainda fico curada desta paranóia, pulo para dentro do tal comboio e vou mais é embora para Roma, rir mais de mim mesma, das situações e embaraços que impinjo à minha pessoa. Só rindo… Só o riso salva!

Frozen para Meninos

Frozen Ana ElsaO mundo gira, gira, gira e vai mexendo, mudando e transformando as coisas e as nossas vidas. Eis que agora tenho uma loja de artigos infantis. De produtos licenciados da Disney e Marvel. Apaixonei-me por este universo e abracei a ideia de viver entre estes personagens diariamente. Sinto uma enorme alegria de ver entrar e sair gente de minha loja, compradores ou não, a admirar os produtos, principalmente quando são crianças. Esse momento também é mesclado com alguma tristeza, quando vejo um menino apaixonado por uma mochila cor-de-rosa da boneca Elsa do Frozen e… a mãe não o deixar levar porque irão gozar com ele na escola. A coitada da criança não via mais nada além das coisinhas do Frozen… Tive muita pena dele, sinceramente. Uma infância frustrada por uma sociedade ridícula. A mãe estava muito sentida também, porque sabe que tais personagens trazem-lhe sorriso, alegria, mas… não os poderá demonstrar além das quatro paredes de sua casa sob pena de poder sofrer bulling. Muitos fornecedores de tais produtos têm como uma das opções para os meninos, os artigos com o personagem Olaf, que é o boneco de neve do desenho. Um certo disfarce para ocultar o gosto dos meninos pela irmãs Ana e Elsa. Um gosto que possivelmente possa ser uma tendência homossexual, na ideia de muitos adultos e de crianças filhas desses adultos que, em se tratando do século XXI, são completamente idiotas. Tenho uma filha de 4 anos e ela gosta muito da Elsa também. Eu até cheguei a pensar que não havia mais ninguém que gostasse tanto da tal boneca quanto ela até me ser apresentado esse menino. Ela também gosta do Homem Aranha. Ama de paixão o gajo aracnídeo e, se querem saber, acho piada em tudo isto. Não estou minimamente preocupada com as tendências dela. Quero que ela se divirta, que seja feliz, que curta a sua infância com todo o seu potencial. Que possa escolher os desenhos, as personagens que quiser. Se ela for gay, ou deixar de ser, certamente não vai ser culpa do coitado Homem Aranha. É chegado o momento de repensarmos os azuis e cor-de-rosa bebé de nossa sociedade. É chegado o momento de deixarmos nossas crianças serem livres. Usufruírem da liberdade de não terem tabus. Deixarem-nas crescer como pássaros e viver em um mundo, um futuro, construído por elas, com muito menos preconceito e mais compreensão. E… Façamos o favor de sermos todos felizes/livres.

O sabor da romã

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Fui ao mercado fazer a feira aqui de casa e em meio a dezenas de legumes de frutas expostos no local estavam reluzentes romãs. Resolvi então comprar uma. Não sabia bem o que iria fazer com ela, mas, enfim, levei-a. Segundo o Wikipédia, “a romã é uma infrutescência da romãzeira (Punica granatum) e não uma fruta. O seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível”. Dias depois de tê-la comprado, foi que lembrei de saboreá-la. Não comi muitas romãs na vida, talvez, para ser franca, umas duas ou três. Apesar disso, conheço a fruta desde que era criança. Minha avó paterna tinha uma romãzeira em sua casa e costumava pingar o sumo da fruta em seus olhos, na tentativa de ficar curada das cataratas. Não sei onde ela ouviu falar nesse procedimento farmacêutico, mas, enfim, são práticas populares que as pessoas, principalmente as que não tem meios financeiros para irem aos especialistas, adotam na fé de se verem livres de males que as afligem. Sinceramente, não sei se ela chegou a comer uma romã em sua vida. Talvez só a usasse nos seus olhos. Dizem que o seu consumo pode ajudar a reduzir a pressão arterial e ser utilizada na prevenção de alguns problemas cardiovasculares. Minha avó morreu de um ataque fulminante do coração, dentro de sua casa simples, com seus hábitos simples e na companhia de minha tia, deficiente física e mental que mal conseguia relatar o que se havia passado, e talvez ainda com muita catarata. Será que ela degustava aqueles pequenos rubis do interior da romã que, segundo dizem, poderia ter enriquecido sua dieta e minimizado seu problema cardíaco? Bem, anos se passaram depois disso e as lembranças das romãs foram enterradas com a minha avó. O que sei é que só fui degustar uma romã depois que cheguei a Portugal, já com mais de trinta anos de idade. Nem sabia que também se podia comer, pois conhecia apenas o seu uso para os olhos, até que um colega do escritório onde trabalhava me ofereceu a metade de uma. Adorei o seu sabor, mas também não me dei ao trabalho de comprar mais e/ou procurar por ela em minhas idas aos (super)mercados. Atualmente, estou tentando fazer uma alimentação mais rica em nutrientes que consumi pouco ou nunca consumi na vida. Quero conhecer novos sabores. É engraçado como muitas vezes precisamos cruzar fronteiras para dar valor, ou conhecer, as coisas que estão mesmo debaixo de nossos narizes durante anos. Talvez, agora, coma romã mais vezes e de diferentes maneiras. Com isso tudo, lembrei-me da minha avó. Espero que ela esteja muito bem onde tiver.

À espera da manhã

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Acabo de ceder meus 50% da cama para a minha filha, que resolveu, mais uma noite, ter pesadelos. Tenho sono, mas não tenho vontade de dormir. Quando acordo e fico em pé, a minha alergia à bela e maldita primavera me faz espirrar sem fim e meu nariz pinga mais do que goteira em telhado de pobre. Além disso, depois que uma pessoa abre os olhos, uma avalanche de pensamentos toma dinamismo, invade a mente e fica muito difícil relaxar e recomeçar a dormir, pelo menos no meu caso. Ficar deitada assim é angustiante. Estou a espera de algumas respostas muito importantes para o meu futuro próximo e isso me deixa muito travada e a vislumbrar paisagens com o olhar parado, para não falar da falta de vontade de lutar para vencer a ignorância, a falta de conhecimentos que impede a fluição de meu trabalho. Já faz algumas horas que estou acordada e parece que o sono agora quer tomar conta de minhas pálpebras, mas falta pouco tempo para o horário que eu teria de acordar. Da moldura da minha janela, irradiante de sol, elementos já bailam num vaivém a construir mais um dia de gente: barulhento e agitado. Lá vem o metro e, agora, tenho menos pena da pessoa que está na estação, ao sabor do ventinho da manhã que acredito estar gelado. Uma moto velha. Uma bicicleta. Um homem a correr. Uma pessoa entrou no autocarro. Uma senhora gorda de blusa vermelha atravessa lentamente a rua na passadeira (=faixa de pedestre) e faz parar o trânsito por alguns momentos. Um pássaro pia inutilmente, pois o ruído da rua é maior. Há um pedaço de linha pendurado na rede de proteção anti-queda da janela que fazem linhas xadrezes de sombra nas paredes do quarto… O despertador… Hora de deixar de ser espectadora e passar a fazer parte do cenário.

A fazer minha cabeça em água

cabeça d'águaQuando cheguei em Portugal, tive contato com essa magnífica expressão “a fazer a cabeça em água”, ou seja, alguém, ou algo, causa extrema preocupação/chateação à outra pessoa. Neste exato momento de minha vida, tenho a sensação que meu cérebro não passa de um amontoado de líquido inerte, insípido-incolor-inodoro = água, onde, em vez de neurônios, boia um lindo peixinho dourado adoentado. Estou com uma hidrocefalia psico-social. Tenho um trabalho para fazer, do qual nada entendo; Um futuro incerto para gerir; Um bebé abaixo do peso e que faz da comida um mero detalhe em sua vida e… estou lutanto contra uma tal vertigem que me afastou da vida de condutora de automóveis (estou frequentando uma auto-escola para voltar à conduzir/dirigir e tenho medo que no final das aulas a investida não resulte). Isso tudo junto desmancha a minha mente, esfarela a pobrezinha, que já não funciona como antigamente. Ainda por cima, estou com uma constipação/resfriado e, do meu nariz sai… água. Devido ao meio aquático que me cerca, hoje sonhei que uma onda enorme engolia-me, junto ao meu marido e à minha filha. Ai, que horror!!