Mais um adeus…

  • adeusComo diz o compositor: “A vida vem em ondas como o mar, no indo e vindo infinito…”. Não vou fechar a porta agora e achar que, quando tornar a abri-la, encontrarei tudo no mesmo lugar. Sempre há mudanças, mas, atualmente, os quadros ganham novos contornos muito rapidamente e a perplexidade invade meu espírito sempre que os defronto. O novo se mistura ao velho velozmente, colorindo, mas também borrando, a paisagem fixada com muito esforço em minha memória. As células… Sim. Elas correm. Correm e esticam o corpinho de (ex)bebe de minha filhinha e correm dos corpos cansados de meus pais. E eu? Fico no meio desse espetacular movimento natural arranjando pontos, pontes, trajetos, passagens… que unam mais rapidamente esses opostos afim de tentar driblar o tempo e fazer-nos conviver o máximo possível e com boa qualidade de vida. Mais uma estadia está chegando ao fim. Voltarei em breve para minha casa, em Portugal. Revi alguns amigos, comi bastante, engordei bastante, tive momentos infindos de insônia (jetleg horrores), vi minha filha brilhar, saltar, brincar à luz do sol tropical, reconhecendo vovô e (bisa)vovó e chamando por eles em suas brincadeiras. Foi tudo muito bom. Agora, é arrumar as malas, vencer a angustia da futura saudade avassaladora e voltar para o meu lar, para o meu marido e para uma vida nova que me espera para começar.

O tempo a escorrer pelos dedos

Imagem

Liguei a televisão e estava a passar o filme Mamma Mia. Já ia para mais da metade e fiquei para ver o restante. O filme não é essas coisas todas para se ver mais de uma vez, pelo menos na minha opinião, mas até que diverte e há uma cena que me emociona sempre que a assisto, que é a da música “Slipping through my fingers“, dos ABBA. Quando fui assistir a essa filme no cinema, logo que estreiou em Portugal, até escrevi sobre isso aqui na altura (https://galeota.wordpress.com/2008/09/13/um-passo-para-o-futuro/), saí de lá chorando convulsivamente, apesar da película ter lá algum ar de comédia. Lembrei-me da minha irmã, como já falei no post mencionado. Agora, sinto mais coisas. Na época, senti-me no papel de filha, no papel de quem quer colo nesse momento véspera-de-casamento, de quem precisa de pedir desculpas para a mãe, para os pais, pelos desgostos e decepções que lhes proporcionou, precisa de chorar, de sorrir em companhia da família, de viver últimos momentos. Não fiz nada dessas coisas antes de casar. Tratei o meu rito de passagem para um outro modo de vida muito mal. Foi tudo muito apressado e desorganizado. Apesar de ter sido um dia muito feliz. Agora, vejo a cena através do prima materno e como diz a música “I try to capture every minute / The feeling in it”, tento capturar cada minuto da minha filha que posso, fazer com ela tudo que posso, ir com ela para todos os lugares que posso e sorrir com ela em todos os momentos que puder. Tenho medo e já sentimento de culpa de lhe faltar. Tenho sentimento de culpa de não ter compartilhado momentos com a minha mãe, por pura imaturidade, e, assim, saudade de momentos que não vivi. Enfim, espero que o futuro me presentei com um bilhete para entrar na vida de minha filha e de fazer parte dela e termos um existência sem segredos, compartilhada da melhor forma.

Escorregando Pelos Meus Dedos (tradução)

Com a mochila da escola na mão, ela sai de casa de manhã cedo
Acenando adeus com um sorriso distraído
Eu a vejo partir com uma onda daquela bem conhecida tristeza
E eu tenho que me sentar um pouco
O sentimento de que eu a estou perdendo para sempre
E sem realmente entrar em seu mundo
Fico feliz todas as vezes que posso compartilhar de sua risada
Essa menininha engraçada
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu tento capturar cada minuto
O sentimento nisso
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu realmente vejo o que está na mente dela?
Cada vez que eu penso que eu estou perto de saber
Ela continua crescendo
Escorregando por entre meus dedos todo o tempo
Sono em nossos olhos , ela e eu na mesa do café
Meio acordada, eu deixo tempo precioso passar
Então quando ela se vai tem aquele ocasional sentimento melancólico
E um sentimento de culpa que eu não posso negar
O que aconteceu às aventuras maravilhosas?
Os lugares que eu tinha planejado para nós irmos
(escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Bem, algumas delas nós fizemos, mas a maioria não
E o porquê eu simplesmente não sei
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu tento capturar cada minuto
O sentimento presente
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Eu realmente vejo o que está na mente dela?
Cada vez que eu penso estar perto de saber
Ela continua crescendo
Escorregando por entre meus dedos todo o tempo
Às vezes eu queria poder congelar a imagem
E salvá-la dos engraçados truques do tempo
Escorregando pelos meus dedos
Escorregando pelos meus dedos todo o tempo
Com a mochila na mão, ela sai de casa de manhã cedo
Acenando adeus com um sorriso distraído
 

Diante da TV

Quando era criança (já lá vão anos…), eu e meus irmãos gostávamos de ficar a olhar a cara da minha avó a assistir as novelas da TV, porque ela ria, chorava, cruzava descruzava pernas e braços, balançava a cabeça como se estivesse a dialogar com todos aqueles seres fictícios. Quando a cena era mais emocionante então, é era o nosso clímax para rirmos com os movimentos dela, sem que ela percebesse. Era muito divertido. Desde sempre tenho hábito de assistir à telenovelas. Com o tempo e os afazeres da vida de adulto esse hábito foi ficando mais disperso. As novelas brasileiras já não as suporto, por causa da temática que abordam (muito realista e com um linguajar que valoriza muito as gírias cariocas/paulistas, mulheres escandalosas, violência  e malandragem, que só reforça o maldito esteriótipo do brasileiro no mundo). Fiquei adepta, não com muito afinco, porque já não tenho muita paciência para isso, das novelas portuguesas. Aparentam mais seriedade diante da vida e mostram as coisas com menos frieza, respeito e com menos valorização à beleza de corpos. As pessoas são mais naturais. Bem, onde quero chegar com essa convesa toda é… confesso, tenho de confessar: ontem me peguei a chorar por causa da morte do personagem Eusébio, da novela Sentimentos (TVI). Pôxa, vida!! Ou tou velha, como achava que era o caso de minha avó, ou as novelas nos despertam mesmo sentimentos esquisitos.

Paris para adolescentes

Crônica de uma viagem a Paris com meus enteados:

Dom Nuno, Madrasta, Dom André
Nuno Lisa

Os príncipes herdeiros do ducado de Almada, Dom André Filipe Serafim, o primogénito, e Dom Nuno Miguel Serafim, estiveram a desfilar sua corte pelos principais monumentos da Cidade Luz, do dia 15 a 19 de Julho de 2009. Sua comitiva era formada pelo Bufão, que atende pelo nome de Pai, e pela sua ama, que tem o estatuto de madrasta, mas foi galardoada com mais um, durante a viagem: a de guia turístico, cuja tarefa era levá-los sempre pelos melhores caminhos. O sr. Pai tinha a obrigação de carregar os pertences dos príncipes, fazer os pagamentos, servir de intérprete em diversas ocasiões e de registar os passos da realeza. Após o desembarque em Paris, os visitantes seguiram para o Museu do Louvre, a fim de ver o retrato de uma tia antiga: a Srª Dª Mona Lisa, cuja imagem é aclamada por reis, rainhas e súbditos do mundo todo, após ter sido vítima da primeira paralisia facial que a humanidade tem notícia e que lhe deixou como mazela um sorriso incógnito em seu semblante. Consternados pela velocidade da visita à parente querida e famosa e por ter conhecido outros seres esdrúxulos daquela mansão (hermafroditas, mulher sem braços, conhecida como Vénus de Milos e outros mais), os pós-infantes seguiram em direcção aos Jardins das Tuilleries, caminharam um pouco pela Rue de Rivoli e depois refastelarem-se num restaurante nas proximidades do hotel para jantar, antes de irem para seus aposentos reais descansar para os passeios do dia seguinte. O príncipe André, mesmo em passeio de férias e

Sr. Pai, entre D. Andre e D. Nuno

para a ampliação de seus horizontes e conhecimento de novas fronteiras, importante para seu futuro como administrador do ducado, não largava as suas obrigações de manter informado o órgão responsável pela infância e juventude de seu reino (MAE – Ministério do Amor e Espera) e os fieis escudeiros de seus mínimos movimentos, através dos modernos aparelhos que emitem mensagens de SOS e de SMS. Como amante de seu país, levou consigo, durante toda a estadia na capital do Reino de França, músicas que faziam ressaltar de sotaque português aqueles caminhos tão parisienses. Ou seja, carregou consigo sempre, ligados através de fios, que mais o deixavam com aparência de um homem eléctrico, todos os seus amigos e a sua cultura pendurada em seus ouvidos e acessíveis ao simples toque de seus dedos. Com tantos afazeres, algumas vezes se desconcentrou dos pormenores que envolviam as burocracias dos transportes e fez parar a comitiva em seu auxílio. O segundo dia foi marcado por encontros reais na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, na Avenida Champs Elysses e uma rápida aula de arte e sexologia pelas praças e ruas de Montmartre.

D. André em atividade e D. Nuno com cara-de-poucos-amigos

Enquanto seguia em silêncio os caminhos desenhados pela madrasta e pelo Sr. Pai, e fingia poses de não perceber a presença dos paparazzis, o seu irmão mais novo, o infante Nuno, dava sua opinião sobre tudo e reclamava constantemente da presença de fotógrafos em seu  caminho, presenteado-os sempre com retratos com cara-de-poucos-amigos. O terceiro dia foi marcado por exercícios que testavam suas reacções emotivas diante do perigo e debaixo de uma forte chuva, nos parques da Disney e castelo da Bela Adormecida, onde Dom Nuno passou com nota máxima. Em âmbito geral, tudo correu dentro da mais perfeita ordem e espera-se que mais oportunidades dessas possam ser uma realidade.

Papeis secretos

Tenho mania de guardar papeizinhos, principalmente aqueles ligados à literatura, e, sinceramente, desfazer-me deles é uma facada em meu coração. Em meio aos meus “pepeizinhos” da época de solteira, encontrei um selo em comemoração ao centenário de nascimento da poetiza brasileira Cecília Meireles (07/11/1901 – 09/11/1964). Suas poesias são minhas favoritas, por serem etéreas, falarem da efemeridade do tempo e serem altamente sinestésicas. Fiquei contente demais de por ter encontrado isso!

selo cecília

Também encontrei antigas cédulas cuja riqueza é apenas por figurar importantes personagens da literatura brasileira, como Cecília Meireles, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade.

Drummond, Cecília, Machado
Drummond, Cecília, Machado

 Não pára por ai… Gosto de blogs, porque a gente pode pôr nossas coisitas no ar, para todos verem, resgatar o passado e dar mais longa vida aos… “papeizitos”. Bem, agora é a vez de Monteiro Lobato. Não sei em que ano foi (entre 98 e 2001…), fui com a minha mãe a uma exposição no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional, sobre o Mundo Encantado de Monteiro Lobato e, juntas, viramos crianças. Sempre vale a pena ir a uma exposição naquela cidade, porque tudo é muitíssimo bem produzido. É bem apropriado falar de Monteiro Lobato nos dias atuais, porque nas décadas de 30 e 40 do século XX, ele já propagava (por isso, teve sua imagem ridiculamente ridicularizada) que no Brasil havia petróleo e lançou a célebre frase “O petróleo é nosso!”.

Encarte da exposição
Encarte da exposição
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Mar de passado

Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB
Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB

Escrevo este post da casa de minha mãe, na Paraíba. Agora, já estou sem meu marido, num momento metade da laranja, pois já acabaram as suas férias e ele teve de voltar para Portugal, onde estarei brevemente. Há dois anos não vinha em minha cidade natal. Tudo muda muito rapidamente aqui (mais prédios, mais hoteis, mais academias, mais igrejas protestantes, outros bares…). O cenário está em constante movimento, embora a cabeça das pessoas, suas ideologias e preferências, continue a mesma. Achei tudo mais caro e vi muitos estabelecimentos comerciais fechados. As dificuldades por emprego também são grandes ainda. Há dois anos, quando tive de viajar para Recife para apanhar o avião internacional, o que me tira a vontade de vir apesar da saudade arrebatadora, a BR estava em obras para ser duplicada. Recentemente, fiz o mesmo percurso e ainda falta muito para a situação se normalizar. Sem aeroporto internacional e com estradas ruins, não há investimento estrangeiro, crescimento do turismo e a cidade acaba por ser esmagada entre Natal e Recife, o que me deixa muito triste. As pessoas fazem por onde tentar crescer economicamente, mas o governo não ajuda e a falencia é uma consequência óbvia.

Apesar disso tudo, gosto muito de estar aqui. Revi meus familiares e amigos queridos, inclusive a minha amiga real/virtual Rose e seu marido JP (deram-me os livros da Stephenie Meyer <Twilight>. Adorei demais!!! Obrigada!!) e minha querida amiga Juliene, seu filhinho e sua adorável família. Todos me receberam com pompa e circunstância e ganhei lindíssimos presentes. Infelizmente, não os correspondi à altura, pois não trouxe presentes e lembranças para todos, como gostaria. Fico devendo esta! Sou muito desajeitada para isso. Mesmo assim, espero que saibam que eu os quero muitíssimo bem e que todos moram em meu coração. Meu sobrinho, agora com quatro anos, fala “pelos cotovelos” e já até me fez chorar de emoção. É uma criança muito educada e feliz. Ainda vejo coisas que deveriam ser mudadas ao meu redor, mas não tenho mais direito a intromissão, pois não pertenço mais a dinâmica desse universo. Comemorei, juntamente com meus familiares, a mais uma conquista da minha irmã mais nova: uma segunda formatura universitária.

Muito de meus pertences ainda recheiam a casa, embora muitos já tenham sido vendidos, distribuídos e ido para o lixo. Mergulho sempre em um mar de passado quando chego cá. Dessa vez, deu-me uma pontadinha de tristeza e decepção de ver que minha mãe se desfez de livros da nossa casa, coleções que me acompanharam durante toda a minha vida e de meus irmãos, porque teve de mudar de casa e não os podia transportar. É a vida… as mudanças abrem sempre espaços em nossos corações. Muitas coisas têm mesmo que ser largadas pelo caminho para que outras possam entrar sem interferências.

Segredos de alcova

camacasalOs meus pais, em Dezembro, vão fazer 40 anos de casados. Sinceramente, estou casada há quase 3 anos e já damos muitas cotovelas e resmungamos durante a noite e nem consigo imaginar como será daqui a 37 anos ou mais de convívio. Só sei que a grande dificuldade que se enfrenta nos primeiros momentos do casamento é a partilha do colchão (até porque eu detesto camas twins!). É um tal de puxa-lençol, cobre-descobre, empurra-empurra, roncos ao pé do ouvido, pesadelos, bafo na cara e outras coisitas que se encaixam bem no rol das incoveniências e decoram o quadro das intimidades. Apesar disso tudo, quando se gosta um do outro, todos esses defeitos caem no vale da abstração e são compensados com outros pormenores que nos dão a segurança de não estarmos sozinhos na luta pela vida. O calor de corpos aquece o nosso dia-a-dia e dá mais brilho as esperanças. Estou completamente adaptada ao meu ninho, que não é lá um king size, mas se adequa perfeitamente ao desenho de nossas emoções e sentimentos. Espero que o prolongamento dos anos de união não nos faça perder a paciência na hora de dormir, para que o dia a seguir seja sempre cumplice de nossa aliança. Se ainda não provou dessa experiência, deixe-me dizer que ficamos viciados em reclamar e compartilhar de todo tipo de incoveniência e segredos que um colchão pode testemunhar. Acredito que essa seja uma “viagem” sem volta (rs). Olha… Conheço muita gente desequilibrada depois de ter largado o vício (rs), sendo assim… pense bem antes de agir e não esqueça das noites frias de inverno.