Mais uma de Paris

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Achava que não iria mais a Paris, pelo menos não tão cedo. Mas eis que surgiu uma oportunidade e lá fomos nós outra vez. O tempo foi curto até para vermos os monumentos e caminhos tradicionais, pois temos agora de seguir o ritmo da criança, da minha filha, que tem dois anos. Embora ela ame correr, suas perninhas não aguentam o fantástico subir e descer de escadas das estações de metro e… as nossas pernas, um pouquinho maiores do que as dela, sofreram também um bocado. O calor do verão era intenso e não podíamos nos dar ao luxo de não o enfrentar. Todas as horas eram aptas a passeios. Foi muito bom a experiência e ainda tive a sorte de rever algumas pessoas amigas. Como já frisei várias vezes por cá, Paris é sempre uma festa. Apesar disso, há quadros que também chocam. Não se tratam de pinturas muito exóticas, pois mendigos a dormirem nas ruas, no seu mais completo grau de abandono pela sociedade e pela sua própria alma, é cenário facilmente encontrado em muitos países, por isso passam “em branco” aos olhos de muitas pessoas, mas causam mal estar por não combinarem com o conceito de lugar belo, organizado e rico. Enfim, coisas das sociedades modernas. Apesar disso, vale muito a pena sempre visitar aquela cidade. Amo o bairro de Montmartre que, na minha opinião, nada é mais parisiense. Segundo o Wikipédia: “Em 1860, o bairro foi ligado à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida noturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.” Muito lindooo!!

Férias, here we go!

Aproximam-se minhas férias e a famosa angústia se apodera dos espaços em torno da pergunta “o que eu vou fazer para aproveitar o tempo?” Apesar de gostar de que as coisas aconteçam, sem planos e datas, ainda assim sou violada mentalmente por esse questionamento. Acho que vou aderir ao dolce farniente sem culpa nenhuma. Para mim, ter tempo para dormir, não ter hora para comer, não se preocupar com o que vestir, jantar e almoçar com o meu marido, que é coisa rara, já é extremamente divertido. Gosto de viajar. Isso não posso negar, mas não posso negar que também é muito stressante pensar em tudo meses antes, enfrentar filas homéricas em aeroportos, encontrar alojamento, reunir a macacada e a papelada, preparar roteiro, esforçar-se para que todos gostem de tudo… ai. Já estou cansada só de pensar que, além disso tudo, o calor tira toda a inspiração e energia da pessoa. Depois, quando vemos fotos e vídeos, fica aquela doce recordação de mais uma experiência vivida e a sensação de que tudo foi fácil, divertido, e não vemos a hora de partir novamente.

Paris para adolescentes

Crônica de uma viagem a Paris com meus enteados:

Dom Nuno, Madrasta, Dom André

Nuno Lisa

Os príncipes herdeiros do ducado de Almada, Dom André Filipe Serafim, o primogénito, e Dom Nuno Miguel Serafim, estiveram a desfilar sua corte pelos principais monumentos da Cidade Luz, do dia 15 a 19 de Julho de 2009. Sua comitiva era formada pelo Bufão, que atende pelo nome de Pai, e pela sua ama, que tem o estatuto de madrasta, mas foi galardoada com mais um, durante a viagem: a de guia turístico, cuja tarefa era levá-los sempre pelos melhores caminhos. O sr. Pai tinha a obrigação de carregar os pertences dos príncipes, fazer os pagamentos, servir de intérprete em diversas ocasiões e de registar os passos da realeza. Após o desembarque em Paris, os visitantes seguiram para o Museu do Louvre, a fim de ver o retrato de uma tia antiga: a Srª Dª Mona Lisa, cuja imagem é aclamada por reis, rainhas e súbditos do mundo todo, após ter sido vítima da primeira paralisia facial que a humanidade tem notícia e que lhe deixou como mazela um sorriso incógnito em seu semblante. Consternados pela velocidade da visita à parente querida e famosa e por ter conhecido outros seres esdrúxulos daquela mansão (hermafroditas, mulher sem braços, conhecida como Vénus de Milos e outros mais), os pós-infantes seguiram em direcção aos Jardins das Tuilleries, caminharam um pouco pela Rue de Rivoli e depois refastelarem-se num restaurante nas proximidades do hotel para jantar, antes de irem para seus aposentos reais descansar para os passeios do dia seguinte. O príncipe André, mesmo em passeio de férias e

Sr. Pai, entre D. Andre e D. Nuno

para a ampliação de seus horizontes e conhecimento de novas fronteiras, importante para seu futuro como administrador do ducado, não largava as suas obrigações de manter informado o órgão responsável pela infância e juventude de seu reino (MAE – Ministério do Amor e Espera) e os fieis escudeiros de seus mínimos movimentos, através dos modernos aparelhos que emitem mensagens de SOS e de SMS. Como amante de seu país, levou consigo, durante toda a estadia na capital do Reino de França, músicas que faziam ressaltar de sotaque português aqueles caminhos tão parisienses. Ou seja, carregou consigo sempre, ligados através de fios, que mais o deixavam com aparência de um homem eléctrico, todos os seus amigos e a sua cultura pendurada em seus ouvidos e acessíveis ao simples toque de seus dedos. Com tantos afazeres, algumas vezes se desconcentrou dos pormenores que envolviam as burocracias dos transportes e fez parar a comitiva em seu auxílio. O segundo dia foi marcado por encontros reais na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, na Avenida Champs Elysses e uma rápida aula de arte e sexologia pelas praças e ruas de Montmartre.

D. André em atividade e D. Nuno com cara-de-poucos-amigos

Enquanto seguia em silêncio os caminhos desenhados pela madrasta e pelo Sr. Pai, e fingia poses de não perceber a presença dos paparazzis, o seu irmão mais novo, o infante Nuno, dava sua opinião sobre tudo e reclamava constantemente da presença de fotógrafos em seu  caminho, presenteado-os sempre com retratos com cara-de-poucos-amigos. O terceiro dia foi marcado por exercícios que testavam suas reacções emotivas diante do perigo e debaixo de uma forte chuva, nos parques da Disney e castelo da Bela Adormecida, onde Dom Nuno passou com nota máxima. Em âmbito geral, tudo correu dentro da mais perfeita ordem e espera-se que mais oportunidades dessas possam ser uma realidade.

Papeis secretos

Tenho mania de guardar papeizinhos, principalmente aqueles ligados à literatura, e, sinceramente, desfazer-me deles é uma facada em meu coração. Em meio aos meus “pepeizinhos” da época de solteira, encontrei um selo em comemoração ao centenário de nascimento da poetiza brasileira Cecília Meireles (07/11/1901 – 09/11/1964). Suas poesias são minhas favoritas, por serem etéreas, falarem da efemeridade do tempo e serem altamente sinestésicas. Fiquei contente demais de por ter encontrado isso!

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Também encontrei antigas cédulas cuja riqueza é apenas por figurar importantes personagens da literatura brasileira, como Cecília Meireles, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade.

Drummond, Cecília, Machado

Drummond, Cecília, Machado

 Não pára por ai… Gosto de blogs, porque a gente pode pôr nossas coisitas no ar, para todos verem, resgatar o passado e dar mais longa vida aos… “papeizitos”. Bem, agora é a vez de Monteiro Lobato. Não sei em que ano foi (entre 98 e 2001…), fui com a minha mãe a uma exposição no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional, sobre o Mundo Encantado de Monteiro Lobato e, juntas, viramos crianças. Sempre vale a pena ir a uma exposição naquela cidade, porque tudo é muitíssimo bem produzido. É bem apropriado falar de Monteiro Lobato nos dias atuais, porque nas décadas de 30 e 40 do século XX, ele já propagava (por isso, teve sua imagem ridiculamente ridicularizada) que no Brasil havia petróleo e lançou a célebre frase “O petróleo é nosso!”.

Encarte da exposição

Encarte da exposição

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Mar de passado

Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB

Jampa - forma simpática de chamar a cidade de João Pessoa/PB

Escrevo este post da casa de minha mãe, na Paraíba. Agora, já estou sem meu marido, num momento metade da laranja, pois já acabaram as suas férias e ele teve de voltar para Portugal, onde estarei brevemente. Há dois anos não vinha em minha cidade natal. Tudo muda muito rapidamente aqui (mais prédios, mais hoteis, mais academias, mais igrejas protestantes, outros bares…). O cenário está em constante movimento, embora a cabeça das pessoas, suas ideologias e preferências, continue a mesma. Achei tudo mais caro e vi muitos estabelecimentos comerciais fechados. As dificuldades por emprego também são grandes ainda. Há dois anos, quando tive de viajar para Recife para apanhar o avião internacional, o que me tira a vontade de vir apesar da saudade arrebatadora, a BR estava em obras para ser duplicada. Recentemente, fiz o mesmo percurso e ainda falta muito para a situação se normalizar. Sem aeroporto internacional e com estradas ruins, não há investimento estrangeiro, crescimento do turismo e a cidade acaba por ser esmagada entre Natal e Recife, o que me deixa muito triste. As pessoas fazem por onde tentar crescer economicamente, mas o governo não ajuda e a falencia é uma consequência óbvia.

Apesar disso tudo, gosto muito de estar aqui. Revi meus familiares e amigos queridos, inclusive a minha amiga real/virtual Rose e seu marido JP (deram-me os livros da Stephenie Meyer <Twilight>. Adorei demais!!! Obrigada!!) e minha querida amiga Juliene, seu filhinho e sua adorável família. Todos me receberam com pompa e circunstância e ganhei lindíssimos presentes. Infelizmente, não os correspondi à altura, pois não trouxe presentes e lembranças para todos, como gostaria. Fico devendo esta! Sou muito desajeitada para isso. Mesmo assim, espero que saibam que eu os quero muitíssimo bem e que todos moram em meu coração. Meu sobrinho, agora com quatro anos, fala “pelos cotovelos” e já até me fez chorar de emoção. É uma criança muito educada e feliz. Ainda vejo coisas que deveriam ser mudadas ao meu redor, mas não tenho mais direito a intromissão, pois não pertenço mais a dinâmica desse universo. Comemorei, juntamente com meus familiares, a mais uma conquista da minha irmã mais nova: uma segunda formatura universitária.

Muito de meus pertences ainda recheiam a casa, embora muitos já tenham sido vendidos, distribuídos e ido para o lixo. Mergulho sempre em um mar de passado quando chego cá. Dessa vez, deu-me uma pontadinha de tristeza e decepção de ver que minha mãe se desfez de livros da nossa casa, coleções que me acompanharam durante toda a minha vida e de meus irmãos, porque teve de mudar de casa e não os podia transportar. É a vida… as mudanças abrem sempre espaços em nossos corações. Muitas coisas têm mesmo que ser largadas pelo caminho para que outras possam entrar sem interferências.

Cidade Maravilhosa

Carlos Drummond de Andrade - Praia de Copacabana

Carlos Drummond de Andrade - Praia de Copacabana - "No mar estava escrita uma cidade"

Finalmente, pude ancorar a minha barquinha em terras brasileiras. Passei boa parte do corrente ano a espera desse momento. Primeiramente, explorei, juntamente com o portuga-meu-marido, a costa carioca, onde morei por cinco anos, para depois ir visitar os mares pessoenses (João Pessoa, minha terra natal).

O que posso dizer do Rio de Janeiro é… que ele continua lindo. Adoro caminhar pela orla e encontrar, além dos personagens televisivos, os personagens que fizeram história na literatura e música brasileiras, em formato de estátuas e localizados em pontos inusitados da cidade, como se ainda estivessem a fazer parte da dinâmica da sociedade, assim como suas obras. Adoro as livrarias com cafés em seu interior, onde se pode folhear bons livros e revistas enquanto se saborea um delicioso lanche. As ruas fervilham de gente a toda hora do dia e noite. Há muitos bares e restaurantes especializados na gastronomia do mundo inteiro. Muitos esportes diferentes são praticados na praia, onde o cenário natural é simplesmente deslumbrante. Há cinemas com filmes alternativos e muitas outras atrações culturais que dão um charme extra a cidade e nos faz esquecer da sujeira, trânsito, violência, desigualdades sociais, transportes públicos extremamente desconfortáveis e desordenados e outros itens mais que mancham a imagen do local.

Alguns encantos da Flórida

Pelos caminhos da Flórida

Pelos caminhos da Flórida

 

 Minha primeira viagem internacional foi para os EUA, em dezembro de 2003 (15 dias). Passaporte, visto e coisas do gênero eram elementos que nem pensava em ter, até que um facto importante veio alterar o rumo da minha vida e me fez ter essa ideia. Aproveitei que meu irmão ia visitar a cunhada na Flórida e também fui. Paguei a passagem em 10x e quinhentos dólares era todo o dinheiro da brasileira que vos escreve (tinha lugar para ficar, histor4por isso não me preocupei muito). Meu dinheiro e minha pouca habilidade com o inglês me levaram apenas ao norte da Flórida. Alugamos um carro, fomos para a Disneyland, Orlando, dois dos grandes pontos turísticos da região, e desbravamos umas pequenas cidades em torno de Gainesville, onde está localizada a Universidade da Flórida e também o nosso abrigo grátis era lá. Passamos então por Micanopy (a mais antiga cidade do interior da Flórida, onde há muitos charmosos antiquários e foi cenário para os filmes “Dr. Hollywood”, com Michael J. Fox, e “Cross Creek”, com Peter Coyote), Cedar Key (cidade de pescadores e de muitos pelicanos, no Golfo do México) e, a que mais gostei, St.  Augustine, uma cidade com arquitectura de origem espanhola.

Cedar Key
Cedar Key

Seus pontos turísticos são: O Flagler College (construído em 1888 é o último exemplo da arquitectura da renascença espanhola na América), O Lightner Museum (também do ano 1888, com três andares de artes decorativas e de materiais culturais da era Victoriana), o velho forte – Castillo de San Marcos (construído em 1672 pelos Digitalizar0010espanhois, que dominaram a Flórida durante muitos anos) e a mais velha escola de madeira dos Estados Unidos (Oldest Wooden Schoolhouse, construída em 1763. Seu interior foi restaurado e ambientado com figuras de professores e alunos em tamanho real). Sua rua principal, a St. Jorge Street, tem uma loja que faz a rua inteira cheirar a chocolate. Foi um passeio muito agradável e inesquecível, pela companhia e pelos cenários bastante diferentes que pude ver. Relembrar, é viver…