O sabor da romã

aromã
Fui ao mercado fazer a feira aqui de casa e em meio a dezenas de legumes de frutas expostos no local estavam reluzentes romãs. Resolvi então comprar uma. Não sabia bem o que iria fazer com ela, mas, enfim, levei-a. Segundo o Wikipédia, “a romã é uma infrutescência da romãzeira (Punica granatum) e não uma fruta. O seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível”. Dias depois de tê-la comprado, foi que lembrei de saboreá-la. Não comi muitas romãs na vida, talvez, para ser franca, umas duas ou três. Apesar disso, conheço a fruta desde que era criança. Minha avó paterna tinha uma romãzeira em sua casa e costumava pingar o sumo da fruta em seus olhos, na tentativa de ficar curada das cataratas. Não sei onde ela ouviu falar nesse procedimento farmacêutico, mas, enfim, são práticas populares que as pessoas, principalmente as que não tem meios financeiros para irem aos especialistas, adotam na fé de se verem livres de males que as afligem. Sinceramente, não sei se ela chegou a comer uma romã em sua vida. Talvez só a usasse nos seus olhos. Dizem que o seu consumo pode ajudar a reduzir a pressão arterial e ser utilizada na prevenção de alguns problemas cardiovasculares. Minha avó morreu de um ataque fulminante do coração, dentro de sua casa simples, com seus hábitos simples e na companhia de minha tia, deficiente física e mental que mal conseguia relatar o que se havia passado, e talvez ainda com muita catarata. Será que ela degustava aqueles pequenos rubis do interior da romã que, segundo dizem, poderia ter enriquecido sua dieta e minimizado seu problema cardíaco? Bem, anos se passaram depois disso e as lembranças das romãs foram enterradas com a minha avó. O que sei é que só fui degustar uma romã depois que cheguei a Portugal, já com mais de trinta anos de idade. Nem sabia que também se podia comer, pois conhecia apenas o seu uso para os olhos, até que um colega do escritório onde trabalhava me ofereceu a metade de uma. Adorei o seu sabor, mas também não me dei ao trabalho de comprar mais e/ou procurar por ela em minhas idas aos (super)mercados. Atualmente, estou tentando fazer uma alimentação mais rica em nutrientes que consumi pouco ou nunca consumi na vida. Quero conhecer novos sabores. É engraçado como muitas vezes precisamos cruzar fronteiras para dar valor, ou conhecer, as coisas que estão mesmo debaixo de nossos narizes durante anos. Talvez, agora, coma romã mais vezes e de diferentes maneiras. Com isso tudo, lembrei-me da minha avó. Espero que ela esteja muito bem onde tiver.