Mais uma de Paris

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Achava que não iria mais a Paris, pelo menos não tão cedo. Mas eis que surgiu uma oportunidade e lá fomos nós outra vez. O tempo foi curto até para vermos os monumentos e caminhos tradicionais, pois temos agora de seguir o ritmo da criança, da minha filha, que tem dois anos. Embora ela ame correr, suas perninhas não aguentam o fantástico subir e descer de escadas das estações de metro e… as nossas pernas, um pouquinho maiores do que as dela, sofreram também um bocado. O calor do verão era intenso e não podíamos nos dar ao luxo de não o enfrentar. Todas as horas eram aptas a passeios. Foi muito bom a experiência e ainda tive a sorte de rever algumas pessoas amigas. Como já frisei várias vezes por cá, Paris é sempre uma festa. Apesar disso, há quadros que também chocam. Não se tratam de pinturas muito exóticas, pois mendigos a dormirem nas ruas, no seu mais completo grau de abandono pela sociedade e pela sua própria alma, é cenário facilmente encontrado em muitos países, por isso passam “em branco” aos olhos de muitas pessoas, mas causam mal estar por não combinarem com o conceito de lugar belo, organizado e rico. Enfim, coisas das sociedades modernas. Apesar disso, vale muito a pena sempre visitar aquela cidade. Amo o bairro de Montmartre que, na minha opinião, nada é mais parisiense. Segundo o Wikipédia: “Em 1860, o bairro foi ligado à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida noturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.” Muito lindooo!!

Blog em festa!

Seis anos de Blog!!! Ele teve início quando vim morar definitivamente em Portugal. Não tinha objectivo de falar única e exclusivamente de minha vida de imigrante, embora esse também fosse um tópico que seria recorrente, logicamente. Muitas experiências vivi nesses anos: Casei, tive três empregos diferentes, também passei meses desempregada, frequentei, pela primeira vez, tribunais do trabalho em busca de meus direitos, tirei novos documentos, fiz amigos, perdi amigos, tive uma filha, ganhei consoantes em minha escrita, enfim, esse blog me acompanhou por toda essa jornada. A medida que o tempo passa, novos desafios são lançados em minha vida e, certamente, algumas linhas de cada experiência vão ser deixadas por cá. Ganhei um amigo, um diário (não funciona diariamente, mas pronto!). Atualmente, é difícil ter algo para escrever, uma vez que ando ocupada com exclusividade na minha tarefa de ser mãe, mas gosto demais quando descarrego umas letras aqui. Bem, é isso. Espero que consiga escrever durante anos no meu cantinho e muito obrigada por cada participação, por cada comentário deixado.

Lembranças de um escritório

ImagemCerca de cento e cinquenta metros quadrados. Era neste espaço que passava minhas manhãs e tardes. Tratava-se de um escritório de administração de condomínios, onde também trabalhavam mais cinco pessoas, além do patrão, que não pode ser incluído na mesma classe desses seres. Ele sozinho ocupava um terço do espaço total do escritório, para não falar dos quase quarenta por cento do nosso dia e dos cem por cento de nossa paciência. Quando estava no escritório, que somava uns oitenta por cento das vezes, sentíamo-nos como se estivéssemos mergulhados dentro de bolhas unitárias dentro do fundo do mar, pois éramos obrigados a fazer um silêncio sepulcral a fim de permitir que esse “génio” da gestão empresarial pudesse pôr as sua baralhadas ideias no lugar. O que nos separava da realidade era uma enorme janela de vidro que, para mim, era o ecrã onde passavam pequenas fracções do filme da vida que assistia inerte do meu reduzido espaço naquele latifúndio. Éramos espectadores do cenário, do movimento da vida que se passava do lado de fora. O nosso tempo parecia diferente do daquelas pessoas que desfilavam suas figuras pelas ruas daquele condomínio aberto, cujos prédios nos cercavam.

Entre uma carimbada e outra, um telefonema de condómino a reclamar de uma luz fundida na garagem de seu prédio e uma ridícula observação do patrão a respeito de nosso trabalho, ficava a imaginar o que teria sido feito de minha vida se estivesse a trabalhar em outro lugar. Mas rapidamente, dava glória aos céus por ter tido essa oportunidade, pois uma imigrante dificilmente pode cuspir sobre o prato que come. Por falar em comida, finalmente chegava a hora do almoço. Arrumava a minha secretária e rumava, como uma fugitiva, para a porta de saída do escritório que, ao ser aberta, atirava-me directamente ao passeio, ao sabor de uma enorme ventania que violava os caixotes do lixo e fazia bailar papeis, sacos plásticos e todo tipo de resíduo volátil pela rua. Meus cabelos indomáveis, o vento na cara, dava-me vontade de abrir os braços, como kate Wisled e Leonardo de Caprio, no filme Titanic, ao som de “My Heart Will Go On” – Celine Dion, cujo refrão reverberava em minha cabeça, mas continha-me para não parecer louca, mais do que me sentia antes de pisar aquele solo sagrado d’além escritório, de tão grande era a sensação de liberdade que se apoderava da minha alma, disfarçada atrás da máscara de empregada durante toda uma ensolarada manhã.

Personagens de todos os gêneros cinematográfico me cercava, dentro de fora daquelas quatro paredes. Há cenas e vozes daquele período que nunca mais se calarão em minha mente. Foi o meu primeiro trabalho em Portugal. Dele tenho muito péssimas memórias, alguns traumas na relação patrão-empregado, alguns euros a menos que não foram pagos, mas algumas boas lembranças e uma amizade que, pelo menos da minha parte, estará sempre em meu coração. Tudo é experiência de vida. Se não serve para nada, pelo menos serve para escrever aqui.

Autorização de Residência – Parte II

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Esta semana teve início a minha saga ao SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) parte II. A minha Autorização de Residência caducou e chegou a altura de sua renovação. Já se passaram cinco anos, desde que tirei a minha primeira carteirinha de Autorização. Agora, a nova tem validade de dez anos, ainda bem. Ainda é de papelão, o que eu acho péssimo. Sei que é um detalhe na vida da pessoa, mas fico morta de vergonha de apresentar esse documento, quando é preciso. Essa coisa de papelão dá uma péssima impressão, para rimar, na minha opinião. O que fiquei sabendo foi que já posso, por causa do tempo que sou casada com um português, tirar um cartão mais apresentável, na Conservatória de Registo Civil, e que quase equivale a um Cartão do Cidadão português.

Bem, para brasileiro(a)s casado(a)s com português(a), o que deve levar para o SEF, para renovar a residência é:

a) Primeiramente, tem de fazer a marcação do dia que lá irá através do seguinte telefone: 808 962 690;

b) Levar o cartão de Autorização de Residência antigo (e a fotocópia);

c) Passaporte válido (e a fotocópia das duas primeiras páginas);

d) IRS do cônjuge, para comprovar os meios de subsistência (e a fotocópia);

e) Certidão de casamento (retirar uma via atualizada na conservatória onde casou);

f) 2 fotos 3×4;

g) Comprovativo de morada (conta de água, luz…) (e a fotocópia);

h) B.I. do cônjuge português (e a fotocópia);

i) Preencher o impresso (aqui);

j) O conjuge português tem de assinar um termo de responsabilidade (aqui).

Para maiores informações, entrar no portal do SEF (http://www.sef.pt/portal/v10/PT/aspx/page.aspx#0).

Informações sobre documentação para a 1º autorização de residência (aqui)

Boa Sorte a todos.

Um sonho além mar

Não é novidade para ninguém a crise econômica que assola Portugal. Em decorrência disso, muitos imigrantes estão regressando aos seus países, fugindo de condições socioeconômicas que não justificam a pena de estar longe de familiares e de seus costumes. Muitos brasileiros, por exemplo, vêm para Portugal com a intenção de pôr a vida em suspenso e só trabalhar, trabalhar, trabalhar para ganhar dinheiro e voltar ao Brasil. Outros vêm com a intenção de começar em Portugal e depois desbravar a Europa. Outros vêm com o sonho de encontrar um príncipe/princesa europeu/europeia. Enfim, são muitos os sonhos/necessidades que motivam a saída de uma pessoa de seu local de origem, mas, o que é verdade, é que poucos conseguem levar os objectivos pretendidos até o final, sem se envolver com pessoas, coisas, linguagem, com o dinamismo da vida e do lugar que se vão empregnando em nossa rotina sem nos apercebermos. Imigrei há seis anos por motivos pessoais, não financeiros. Encontrei e encontro inúmeras dificuldades profissionais. Dei muito “murro em ponta de faca” e fui me espalhando por outras áreas, tentando driblar as dificuldades. Desde que estou aqui, já voltei, a passeio, várias vezes ao Brasil. Cada vez que vou, sinto-me mais desambientada. Chego a conclusão que imigrar é um assunto muito sério, porque a uma dada altura, ficamos despatriados, perdidos, não somos caipirinha e nem somos vinho. Sou casada com um português e, por opção, não estou envolvida em nenhuma comunidade brasileira. Isso talvez dificulte mais a minha adaptação. Bem, só tenho a dizer que a realidade é dura. Se alguém quiser o meu conselho: Tentem alternativas financeiras dentro do Brasil, primeiro, antes de entrar nessa aventura que talvez não haja volta psicológica. Tudo é muito difícil, mas… não é impossível. A felicidade e os sonhos estão ao alcance de todos.

Imigrante em Portugal

Morar em um outro país, realmente, é dar um tiro no escuro, pois há muitos detalhes que precisamos aprender para gastar menos dinheiro, para ser pelo menos parecida com as outras pessoas e, o que é principal, o que fazer para estar legal. Bem, para aqueles que querem vir para Portugal, por exemplo, e não sabem como proceder e que documentos são necessários para dar entrada no processo de legalização, aqui vão alguns sites que trazem bastante informações a esse respeito:

ACIME (Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas)

http://www.acime.gov.pt

E-mail: acime@acime.gov.pt

CASA DO BRASIL EM LISBOA

http://www.casadobrasil.pt

E-mail: secretaria@casadobrasildelisboa.rcts.pt

SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras)

http://www.sef.pt

E-mail: sef@sef.pt

É uma longa jornada e um festival de informações, mas, se estar mesmo interessado em enfrentar a vida no estrangeiro, tem de ler tudo que essas entidades escrevem. Boa sorte!

Desembarque

O avião aterrou. O piloto deu-nos o comando para soltarmos os cintos de segurança. Durante todo o trajeto, esse foi o primeiro momento que senti insegurança e deparei-me com a realidade de agora estar sozinha e do quanto estava distante da minha família e dos meus amigos. Seguindo um procedimento normal desse tipo de viagem, desci do avião e fui em direção à sala de recepção de bagagens. Em alguns instantes, pessoas acumulavam-se a olhar fixamente para um esteira que girava, de onde surgiriam, como por um passe de mágica, as nossas malas. Olhava para o rosto dessa gente e ficava me perguntando em que estavam pensando, que sonhos e experiências estavam encerrados naqueles compartimentos tão ansiosamente esperados. Quanto a esse povo, nada sei, mas quanto a mim, dentro das minhas malas estavam porções de um passado recente que me ajudariam a não me perder de mim mesma, a não perder a minha identidade, além de sonhos e expectativas, pois parti do meu país em busca de uma nova vida ao lado de uma pessoa amada. Já estive nesse lugar uma vez, mas, como já dizia o filósofo grego Heráclito, não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que estarão lá e nós mesmos já seremos diferentes. Enfrentei algumas tempestades pessoais da outra vez, que águas me recepcionarão desta? Lá vinham elas… duas malas, grandes, do tamanho dos meus desejos de ser essa a escolha certa para a minha vida. Vinham dançando na esteira, felizes por estarem frente a alguém amigo, pareciam querer pular para os meus braços, para seguirmos juntas pelo mundo afora. Esse realmente foi um momento íntimo e único, pois só os meus neurônios foram testemunhas dos meus pensamentos e angustias. Peguei-as, coloquei-as em um carrinho e caminhei para o portão de desembarque. Comparo esse, ao instante do nascimento de uma criança. Estive desse lado da porta durante tantos anos… o que será que me espera do outro lado? Como uma contração, a porta abriu-se e fechou-se rapidamente, uma pessoa nasceu naquela altura. Agora era a minha vez. A porta abriu-se, inteira, plena, para me deixar passar, com o pé direito na frente. Respirei um novo ar e fui recebida pela pessoa que mais amo deste lado do mundo. Lá estava ele… acolheu-me em seus aconchegantes braços e deu-me as boas-vindas a esta, que será para nós, uma vida nova.