Mais um adeus…

  • adeusComo diz o compositor: “A vida vem em ondas como o mar, no indo e vindo infinito…”. Não vou fechar a porta agora e achar que, quando tornar a abri-la, encontrarei tudo no mesmo lugar. Sempre há mudanças, mas, atualmente, os quadros ganham novos contornos muito rapidamente e a perplexidade invade meu espírito sempre que os defronto. O novo se mistura ao velho velozmente, colorindo, mas também borrando, a paisagem fixada com muito esforço em minha memória. As células… Sim. Elas correm. Correm e esticam o corpinho de (ex)bebe de minha filhinha e correm dos corpos cansados de meus pais. E eu? Fico no meio desse espetacular movimento natural arranjando pontos, pontes, trajetos, passagens… que unam mais rapidamente esses opostos afim de tentar driblar o tempo e fazer-nos conviver o máximo possível e com boa qualidade de vida. Mais uma estadia está chegando ao fim. Voltarei em breve para minha casa, em Portugal. Revi alguns amigos, comi bastante, engordei bastante, tive momentos infindos de insônia (jetleg horrores), vi minha filha brilhar, saltar, brincar à luz do sol tropical, reconhecendo vovô e (bisa)vovó e chamando por eles em suas brincadeiras. Foi tudo muito bom. Agora, é arrumar as malas, vencer a angustia da futura saudade avassaladora e voltar para o meu lar, para o meu marido e para uma vida nova que me espera para começar.

Primaveras de minha vida

40 anos de vidaNos primeiros dias do mês de Junho, fui galardoada com uma medalha de sócia mais nova do clube dos -enta. São 40 primaveras no meu corpo, na minha carroceria (está sentença toda me faz espirrar… lacrimejar… primavera… flores… 40 anos… atchimmm!!! Ai, minhas costas!!). Fui presenteada com um lindo e delicioso jantar elaborado com muito carinho pelo meu marido. Obrigada, querido, sinto-me muito feliz por abrir a porta de uma nova década de vida em tua companhia. Enfim… Dizem que a vida começa aos 40, portanto, ainda sou um bebê e não me posso considerar um testemunho da veracidade dessa afirmação. O que sei é que tanta coisa já me fez feliz, tanta coisa já me fez chorar de tristeza, tantas pessoas passaram pelas veredas da minha existência, tantas sumiram, tantas morreram, tantas nasceram… Tudo é experiência, tudo é aprendizagem, tudo ajuda a me fazer forte. O que é surpreendente é sentir o esfarelar das lembranças… Essa semana, minha irmã me disse que ainda tinha uma bota que era igual a uma que eu tinha, que adorava e usava muitas vezes. Fiquei chocada… Ai, que não me lembro dessa bota… Pensei que tinha guardado na minha memória todas as coisas que gostava e, por isso, eram importantes para mim… Acabo de descobrir que muitas partículas foram ficando para trás nessa jornada e que, afinal, os gigabytes da mente não são suficientes para armazenar todas as  informações durante tanto tempo (ou… o que ficou para trás perdeu a importância). Todos os seres humanos sabem disso, mas sentir na pele é, realmente, surpreendente. Outra coisa que surpreende é… Não consigo. Não consigo rodar o bambolê/arco na minha cintura!!! O que é que se passa? Eu era um ás no bambolê/arco e agora é tão difícil! Bem, deixa isso para lá. Não preciso de bambolê para nada mais na minha vida mesmo… Sei contar até 100 e escrever esse texto e minha filha de dois anos, o maior presente da minha vida, não sabe, tá bem!? Ah, também não sabe rodar o bambolê na cin-tu-ra… trá-la-la-la-la-la…