Mais uma de Paris

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Achava que não iria mais a Paris, pelo menos não tão cedo. Mas eis que surgiu uma oportunidade e lá fomos nós outra vez. O tempo foi curto até para vermos os monumentos e caminhos tradicionais, pois temos agora de seguir o ritmo da criança, da minha filha, que tem dois anos. Embora ela ame correr, suas perninhas não aguentam o fantástico subir e descer de escadas das estações de metro e… as nossas pernas, um pouquinho maiores do que as dela, sofreram também um bocado. O calor do verão era intenso e não podíamos nos dar ao luxo de não o enfrentar. Todas as horas eram aptas a passeios. Foi muito bom a experiência e ainda tive a sorte de rever algumas pessoas amigas. Como já frisei várias vezes por cá, Paris é sempre uma festa. Apesar disso, há quadros que também chocam. Não se tratam de pinturas muito exóticas, pois mendigos a dormirem nas ruas, no seu mais completo grau de abandono pela sociedade e pela sua própria alma, é cenário facilmente encontrado em muitos países, por isso passam “em branco” aos olhos de muitas pessoas, mas causam mal estar por não combinarem com o conceito de lugar belo, organizado e rico. Enfim, coisas das sociedades modernas. Apesar disso, vale muito a pena sempre visitar aquela cidade. Amo o bairro de Montmartre que, na minha opinião, nada é mais parisiense. Segundo o Wikipédia: “Em 1860, o bairro foi ligado à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida noturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.” Muito lindooo!!

Uma explosão de arte

ImagemFinalmente, assisti ao filme “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris – 2011), do diretor Woody Allen. Passou em um dos canais da Tv à Cabo e não perdi a oportunidade. Adorei a película!! O protagonista faz uma viagem, muito surreal, à década de 20 em Paris e tem vários encontros com escritores famosos, pintores e outras pessoas que movimentavam o cenário cultural da cidade. Nessa época, cada pedra das calçadas parisienses pulsavam de arte, de criatividade, de dinamismo, do efervecer de uma nova era. Como já dizia o Ernest Hemingway: “Paris, é uma festa!” e sempre será. Só posso dizer que o roteiro do filme foi muito bem pesquisado. Não sei se tudo que é mencionado é ficção ou não, mas é muito convincente, bem argumentado. Como gosto muito de visitar casas de escritores e caminhar onde os grandes mestres pisaram, para imaginar o que e como sentiam, viviam, tive uma grande empatia com essa história. Foi quase uma biografia coletiva dos grandes artistas do período. O que retirei como mensagem foi que, independente de que época somos, nunca estamos felizes com o nosso presente. Do futuro ninguém sabe, no passado reside o que conhecemos, experienciamos sobre a felicidade. Costumamos sempre achar que fomos em nível coletivo mais felizes do que somos hoje, mas, o que temos na realidade, é o presente. É no presente, somente nele, que temos de viver a nossa época de ouro, que temos de lutar para fazer as nossas escolhas serem as melhores. Só o que temos agora é o que realmente existe. Grande filme, grande diretor, grande roteiro, grande história, grande mensagem. Ai… Deu-me tanta vontade de visitar Paris novamente…