Mais uma de Paris

483px-Moulin_Rouge_dsc07334
Achava que não iria mais a Paris, pelo menos não tão cedo. Mas eis que surgiu uma oportunidade e lá fomos nós outra vez. O tempo foi curto até para vermos os monumentos e caminhos tradicionais, pois temos agora de seguir o ritmo da criança, da minha filha, que tem dois anos. Embora ela ame correr, suas perninhas não aguentam o fantástico subir e descer de escadas das estações de metro e… as nossas pernas, um pouquinho maiores do que as dela, sofreram também um bocado. O calor do verão era intenso e não podíamos nos dar ao luxo de não o enfrentar. Todas as horas eram aptas a passeios. Foi muito bom a experiência e ainda tive a sorte de rever algumas pessoas amigas. Como já frisei várias vezes por cá, Paris é sempre uma festa. Apesar disso, há quadros que também chocam. Não se tratam de pinturas muito exóticas, pois mendigos a dormirem nas ruas, no seu mais completo grau de abandono pela sociedade e pela sua própria alma, é cenário facilmente encontrado em muitos países, por isso passam “em branco” aos olhos de muitas pessoas, mas causam mal estar por não combinarem com o conceito de lugar belo, organizado e rico. Enfim, coisas das sociedades modernas. Apesar disso, vale muito a pena sempre visitar aquela cidade. Amo o bairro de Montmartre que, na minha opinião, nada é mais parisiense. Segundo o Wikipédia: “Em 1860, o bairro foi ligado à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida noturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.” Muito lindooo!!

Uma explosão de arte

ImagemFinalmente, assisti ao filme “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris – 2011), do diretor Woody Allen. Passou em um dos canais da Tv à Cabo e não perdi a oportunidade. Adorei a película!! O protagonista faz uma viagem, muito surreal, à década de 20 em Paris e tem vários encontros com escritores famosos, pintores e outras pessoas que movimentavam o cenário cultural da cidade. Nessa época, cada pedra das calçadas parisienses pulsavam de arte, de criatividade, de dinamismo, do efervecer de uma nova era. Como já dizia o Ernest Hemingway: “Paris, é uma festa!” e sempre será. Só posso dizer que o roteiro do filme foi muito bem pesquisado. Não sei se tudo que é mencionado é ficção ou não, mas é muito convincente, bem argumentado. Como gosto muito de visitar casas de escritores e caminhar onde os grandes mestres pisaram, para imaginar o que e como sentiam, viviam, tive uma grande empatia com essa história. Foi quase uma biografia coletiva dos grandes artistas do período. O que retirei como mensagem foi que, independente de que época somos, nunca estamos felizes com o nosso presente. Do futuro ninguém sabe, no passado reside o que conhecemos, experienciamos sobre a felicidade. Costumamos sempre achar que fomos em nível coletivo mais felizes do que somos hoje, mas, o que temos na realidade, é o presente. É no presente, somente nele, que temos de viver a nossa época de ouro, que temos de lutar para fazer as nossas escolhas serem as melhores. Só o que temos agora é o que realmente existe. Grande filme, grande diretor, grande roteiro, grande história, grande mensagem. Ai… Deu-me tanta vontade de visitar Paris novamente…

Paris para adolescentes

Crônica de uma viagem a Paris com meus enteados:

Dom Nuno, Madrasta, Dom André

Nuno Lisa

Os príncipes herdeiros do ducado de Almada, Dom André Filipe Serafim, o primogénito, e Dom Nuno Miguel Serafim, estiveram a desfilar sua corte pelos principais monumentos da Cidade Luz, do dia 15 a 19 de Julho de 2009. Sua comitiva era formada pelo Bufão, que atende pelo nome de Pai, e pela sua ama, que tem o estatuto de madrasta, mas foi galardoada com mais um, durante a viagem: a de guia turístico, cuja tarefa era levá-los sempre pelos melhores caminhos. O sr. Pai tinha a obrigação de carregar os pertences dos príncipes, fazer os pagamentos, servir de intérprete em diversas ocasiões e de registar os passos da realeza. Após o desembarque em Paris, os visitantes seguiram para o Museu do Louvre, a fim de ver o retrato de uma tia antiga: a Srª Dª Mona Lisa, cuja imagem é aclamada por reis, rainhas e súbditos do mundo todo, após ter sido vítima da primeira paralisia facial que a humanidade tem notícia e que lhe deixou como mazela um sorriso incógnito em seu semblante. Consternados pela velocidade da visita à parente querida e famosa e por ter conhecido outros seres esdrúxulos daquela mansão (hermafroditas, mulher sem braços, conhecida como Vénus de Milos e outros mais), os pós-infantes seguiram em direcção aos Jardins das Tuilleries, caminharam um pouco pela Rue de Rivoli e depois refastelarem-se num restaurante nas proximidades do hotel para jantar, antes de irem para seus aposentos reais descansar para os passeios do dia seguinte. O príncipe André, mesmo em passeio de férias e

Sr. Pai, entre D. Andre e D. Nuno

para a ampliação de seus horizontes e conhecimento de novas fronteiras, importante para seu futuro como administrador do ducado, não largava as suas obrigações de manter informado o órgão responsável pela infância e juventude de seu reino (MAE – Ministério do Amor e Espera) e os fieis escudeiros de seus mínimos movimentos, através dos modernos aparelhos que emitem mensagens de SOS e de SMS. Como amante de seu país, levou consigo, durante toda a estadia na capital do Reino de França, músicas que faziam ressaltar de sotaque português aqueles caminhos tão parisienses. Ou seja, carregou consigo sempre, ligados através de fios, que mais o deixavam com aparência de um homem eléctrico, todos os seus amigos e a sua cultura pendurada em seus ouvidos e acessíveis ao simples toque de seus dedos. Com tantos afazeres, algumas vezes se desconcentrou dos pormenores que envolviam as burocracias dos transportes e fez parar a comitiva em seu auxílio. O segundo dia foi marcado por encontros reais na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, na Avenida Champs Elysses e uma rápida aula de arte e sexologia pelas praças e ruas de Montmartre.

D. André em atividade e D. Nuno com cara-de-poucos-amigos

Enquanto seguia em silêncio os caminhos desenhados pela madrasta e pelo Sr. Pai, e fingia poses de não perceber a presença dos paparazzis, o seu irmão mais novo, o infante Nuno, dava sua opinião sobre tudo e reclamava constantemente da presença de fotógrafos em seu  caminho, presenteado-os sempre com retratos com cara-de-poucos-amigos. O terceiro dia foi marcado por exercícios que testavam suas reacções emotivas diante do perigo e debaixo de uma forte chuva, nos parques da Disney e castelo da Bela Adormecida, onde Dom Nuno passou com nota máxima. Em âmbito geral, tudo correu dentro da mais perfeita ordem e espera-se que mais oportunidades dessas possam ser uma realidade.

A casa de Victor Hugo

Paris - Julho 2009x

Há caminhos que não cessam de nos dizer coisas. Por mais vezes que passemos pelo mesmo lugar, as mensagens emitidas são sempre novas. Assim é Paris. A magia da Cidade Luz faz com que cada visita seja sempre única. Estive lá no mês de Julho, desta vez com o objectivo de tirar o véu francês da face de dois adolescentes, os filhos de meu marido. Logicamente, os olhos deles ainda não conseguem vislumbrar a riqueza de imagens que só o passar da idade e o somatório de vivências nos concede. Tudo estava no mesmo lugar, como é normal: A Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a deslumbrante Av. Champs Elysses, o Museu do Louvre, o rio Sena, a catedral Notre Dame etc., mas me acenaram de uma forma diferente, como também é normal, pois, como já se diz, “ninguém atravessa o mesmo rio duas vezes”.

Casa de Victor Hugo (by me)

Casa de Victor Hugo (by me)

Cores e formas pareceram-me muito mais intensas. Consegui desvencilhar-me de caminhos e até andar sozinha naquelas paragens cuja língua não domino. Um passeio solitário que aventurei-me a realizar foi o de conhecer a casa do escritor francês Victor Hugo, na magnífica Place de Voges. Fiz tudo a correr, mas deu para sentir o ar de mais uma casa de escritor.

Sala oriental

Sala oriental

Como já havia escrito neste blog, tenho fascínio por casas de escritores (por falar nisso, descobri que a empresa onde trabalha o meu advogado, em Lisboa, foi a casa onde nasceu Fernando Pessoa. Fiquei estupefacta com essa descoberta!!!). É como se, ao fechar os olhos, podéssemos sentir o processo criativo a pulsar nas paredes e objectos pessoais do artista. Vi inúmeras fotografias da montagem do personagem Quasímodo (o corcunda de Notre Dame), da obra “Notre Dame de Paris” que ficou famosa e incentivou o restauro da Catedral que, na época, encotrava-se em ruínas. Foi um passeio relâmpago muito produtivo e extremamente agradável para mim. Veja neste vídeo o que eu tive a oportunidade de conhecer:

Tour no supermercado

Nada melhor do que viajar para relaxar e aprender. No que diz respeito a sair do país, do Estado ou da cidade, a minha dica, como alguém que já vislumbrou (não tanto quanto gostaria) alguns horizontes diferentes, é, além de tudo, visitar, também, supermercados de grandes cidades. A cada corredor, secção, tudo o que idealizamos sobre o que é a pragmática do viver, desmancha-se diante de novas oportunidades de construir um prato, arrumar e limpar uma casa e até dos cuidados com nossa higiene pessoal. Tudo diz muito sobre os hábitos e dia a dia do lugar e da população. É mesmo conhecer o que vai para dentro das casas e vidas das pessoas. Nada melhor para entender a dinâmica de uma sociedade.
OBS: Se forem a Paris, não deixem de ir ao gourmet food market, Lafayette Gourmet, das Galerias Lafayette.
Nunca vi tanta coisa bonita, bem embalada e gostosa reunida.