Mais um adeus…

  • adeusComo diz o compositor: “A vida vem em ondas como o mar, no indo e vindo infinito…”. Não vou fechar a porta agora e achar que, quando tornar a abri-la, encontrarei tudo no mesmo lugar. Sempre há mudanças, mas, atualmente, os quadros ganham novos contornos muito rapidamente e a perplexidade invade meu espírito sempre que os defronto. O novo se mistura ao velho velozmente, colorindo, mas também borrando, a paisagem fixada com muito esforço em minha memória. As células… Sim. Elas correm. Correm e esticam o corpinho de (ex)bebe de minha filhinha e correm dos corpos cansados de meus pais. E eu? Fico no meio desse espetacular movimento natural arranjando pontos, pontes, trajetos, passagens… que unam mais rapidamente esses opostos afim de tentar driblar o tempo e fazer-nos conviver o máximo possível e com boa qualidade de vida. Mais uma estadia está chegando ao fim. Voltarei em breve para minha casa, em Portugal. Revi alguns amigos, comi bastante, engordei bastante, tive momentos infindos de insônia (jetleg horrores), vi minha filha brilhar, saltar, brincar à luz do sol tropical, reconhecendo vovô e (bisa)vovó e chamando por eles em suas brincadeiras. Foi tudo muito bom. Agora, é arrumar as malas, vencer a angustia da futura saudade avassaladora e voltar para o meu lar, para o meu marido e para uma vida nova que me espera para começar.

Mais uma de Paris

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Achava que não iria mais a Paris, pelo menos não tão cedo. Mas eis que surgiu uma oportunidade e lá fomos nós outra vez. O tempo foi curto até para vermos os monumentos e caminhos tradicionais, pois temos agora de seguir o ritmo da criança, da minha filha, que tem dois anos. Embora ela ame correr, suas perninhas não aguentam o fantástico subir e descer de escadas das estações de metro e… as nossas pernas, um pouquinho maiores do que as dela, sofreram também um bocado. O calor do verão era intenso e não podíamos nos dar ao luxo de não o enfrentar. Todas as horas eram aptas a passeios. Foi muito bom a experiência e ainda tive a sorte de rever algumas pessoas amigas. Como já frisei várias vezes por cá, Paris é sempre uma festa. Apesar disso, há quadros que também chocam. Não se tratam de pinturas muito exóticas, pois mendigos a dormirem nas ruas, no seu mais completo grau de abandono pela sociedade e pela sua própria alma, é cenário facilmente encontrado em muitos países, por isso passam “em branco” aos olhos de muitas pessoas, mas causam mal estar por não combinarem com o conceito de lugar belo, organizado e rico. Enfim, coisas das sociedades modernas. Apesar disso, vale muito a pena sempre visitar aquela cidade. Amo o bairro de Montmartre que, na minha opinião, nada é mais parisiense. Segundo o Wikipédia: “Em 1860, o bairro foi ligado à cidade e transformou-se num ponto de encontro importante de artistas e intelectuais, famoso pela sua animada vida noturna. Modelos, bailarinas e pintores como Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec frequentavam o lugar, contribuindo para criar um clima libertário.” Muito lindooo!!

Nórdica por uns dias

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Castelo de Kronborg – Dinamarca

Se há algo de novo no Reino da Dinamarca, sinceramente, eu não sei. Será a crise econômica da Europa a chegar por lá? O que sei é que o mês de novembro me proporcionou novas emoções. Depois de seis anos sem participar de congressos e nem apresentar trabalhos científicos, eis que me calha de ir para Copenhague, participar de um colóquio sobre línguas românicas e fazer a apresentação dos resultados preliminares da minha pesquisa de pós-doutoramento. O facto de ir sozinha para um país distante que nunca tinha ido antes, não me fez borboletas na barriga, pois também sabia que iria reencontrar uma grande amiga e, muitas vezes, companheira de viagens inesquecíveis, que certamente me salvaria de situações mais embaraçosas. O nosso plano inicial, traçado online, era passear, passear até as penas já não mais aguentarem, como costumávamos fazer e adorávamos (tudo depois dos trabalhos, claro!). Para passar esse período fora de Portugal, tive de deixar, pela primeira vez sozinhos, minha filhinha e meu marido, o que ofuscou um pouco o brilho e o encanto do local, pois senti muito a falta deles. Não sei se por esse motivo, ou se por ter perdido um pouco de meu espírito aventureiro, fiquei um bocado cansada e sem muita paciência para grandes jornadas de caminhadas diárias. No hotel onde fiquei hospedada, juntei-me a um grande grupo de brasileiras, que também iria participar do colóquio. No meu minúsculo quarto, éramos três e lá era o “quartel general” onde todas se reuniam à noite para contar histórias, planejar os intinerários do dia seguinte, tomar vinhos com iguarias locais e de outros países, de onde algumas delas tinham vindo antes de lá estarem e, como não podia deixar de ser, dar boas gargalhadas e fazer muito barulho. Foi engraçado. Viajei em um sábado e na segunda-feira à tarde já era dia de minha apresentação. Passei a manhã indo constantemente ao banheiro e nem cheguei a almoçar direito, pois estava com meu nervosismo habitual (tenho pânico de situações em que sou o centro das atenções), mas durante a exposição, correu tudo linda e calmamente. Senti a minha alma serena, o que me deixou bastante contente depois. Foram mais dois dias de apresentações das outras colegas e, enfim, chegou o momento dos passeios mais distantes. Apesar de minha pequena apatia, proporcionada pela saudade e pelo frio, desfrutei muito das paisagens. Adorei as várias referências feitas ao escritor Hans Christian Andersen, das inúmeras bicicletas que dão movimento e vida à cidade e faz defilar para os estrangeiros as belas figuras dos nativos, impressionei-me com a educação e disponibilidade para ajudar dos dinamarqueses, comi muito bem e conheci lugares fantásticos, como, por exemplo, o castelo de Frederiksborg e o castelo/fortaleza de Kronborg, também conhecido por muitos como “Helsingor,” o palco para muitas representações de Hamlet, famosa tragédia de William Shakespeare. Enfim, foi uma experiência incrível, além de me lançar novamente no mundo acadêmico, ainda tive oportunidade de conhecer pessoas encantadoras e de vislumbrar paisagens belíssimas.

Uma explosão de arte

ImagemFinalmente, assisti ao filme “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris – 2011), do diretor Woody Allen. Passou em um dos canais da Tv à Cabo e não perdi a oportunidade. Adorei a película!! O protagonista faz uma viagem, muito surreal, à década de 20 em Paris e tem vários encontros com escritores famosos, pintores e outras pessoas que movimentavam o cenário cultural da cidade. Nessa época, cada pedra das calçadas parisienses pulsavam de arte, de criatividade, de dinamismo, do efervecer de uma nova era. Como já dizia o Ernest Hemingway: “Paris, é uma festa!” e sempre será. Só posso dizer que o roteiro do filme foi muito bem pesquisado. Não sei se tudo que é mencionado é ficção ou não, mas é muito convincente, bem argumentado. Como gosto muito de visitar casas de escritores e caminhar onde os grandes mestres pisaram, para imaginar o que e como sentiam, viviam, tive uma grande empatia com essa história. Foi quase uma biografia coletiva dos grandes artistas do período. O que retirei como mensagem foi que, independente de que época somos, nunca estamos felizes com o nosso presente. Do futuro ninguém sabe, no passado reside o que conhecemos, experienciamos sobre a felicidade. Costumamos sempre achar que fomos em nível coletivo mais felizes do que somos hoje, mas, o que temos na realidade, é o presente. É no presente, somente nele, que temos de viver a nossa época de ouro, que temos de lutar para fazer as nossas escolhas serem as melhores. Só o que temos agora é o que realmente existe. Grande filme, grande diretor, grande roteiro, grande história, grande mensagem. Ai… Deu-me tanta vontade de visitar Paris novamente…

Ó, metade arrancada de mim

Home sweet home. Finalmente, pousei em meu lar. Passei o mês de Junho e metade de Julho fora dImageme casa. Sim, foram férias. Um bocado cansativas, mas foram. Fui para casa de meus pais no Brasil, em pleno inverno, ou melhor, chuverno do Nordeste brasileiro. Com a mudança de clima, para variar, minha baby ficou doente (febre, secreções etc.) a metade do período que lá estive. Quando chego lá, deparo-me com a alegria de estar novamente em casa, matar a saudade das pessoas, da comida, da cultura, enfim, mas também adentro o universo dos problemas familiares, que já perdi o jeito para lidar com eles, além de enxergar a triste realidade de ver as pessoas ficarem velhas e com vários problemas de saúde. É um turbilhão de emoções que às vezes cansa um bocadinho. Nesse ínterim, minha casa em Portugal foi assaltada. Puseram tudo fora do lugar, minha vida inteira fora do sítio, à procura de ouro. Coitados, o que menos tenho na vida é ouro. Nunca dei importância a isso. Ou seja, meu, não levaram nada. Parece que estava advinhando e levei o pouco que tenho comigo. Esqueci das coisinhas de minha filha, que acabaram por roubar. Cheguei de viagem, a casa já estava um bocado remediada, porque meu marido tentou arrumar o que conseguiu, mas ainda faltam malas para desfazer e coisas para pôr no lugar. Ontem tive o desprazer de encontrar as caixinhas das joias da menina vazias e… tive muita tristeza. Não pelos objetos em si, mas porque havia sido presentes de pessoas queridas. Como diz a música do Chico Buarque “Ó pedaço de mim, Ó metade arrancada de mim…”. É um desgosto e uma impotência que bate profundamente na alma. Já havia sido assaltada antes, duas vezes. Todas elas foram situações extremamente traumáticas, mas quando entram em nossa casa, invadem a nossa privacidade, levam o que é nosso e estava guardado… Parece que o ultraje é maior. O pior é que temos de nos conformar com a situação, porque nada mais, parece, pode ser feito.

In the air…

ImagemSemana passada parti, eu e minha filha de 15 meses, em viagem para o Brasil. Primeira paragem: Rio de Janeiro. Fui visitar o meu irmão que mora lá e… pretendia ver mais pessoas amigas. Para concretizar os meus planos, dispunha de um fim-de-semana e mais 2 dias. Logo descobri que quando se viaja com um bebé, tudo que se consegue é lucro e não vale a pena planejar nada, pois diante do primeiro obstáculo, tipo uma febre misturada com um tempo nublado/chuvoso, tudo vai por terra e… o tempo de estadia termina e tudo que se tinha em mente fica por fazer. A criança resolveu chorar todos os dias que lá estive e resistir a pisar o solo carioca. Colo, colo, colo era a palavra de ordem.  Não preciso dizer que minha vontade era ir embora o mais rápido possível para me livrar dessa situação. Os meus lugares de visita foram a feira de frutas e legumes, o supermercado, um shopping e uma noite fomos ao teatro, assistir à peça O Mágico de Oz, em que meu irmão atua. Minha mãe foi ter comigo lá e também foi vítima dos descontroles da minha baby. Fico feliz de ainda ter visto Dona Nadir, que não está lá muito bem de saúde, Luiza, Sr. Nilton e alguns colegas de meu irmão do teatro. Lamento não ter visto os meus professores, Carol, Cecilia, Renata. Espero que a vida me dê mais oportunidades e tempo de encontrar com todas essas pessoas.

Segunda e atual paragem: João Pessoa, na casa de meus pais. O quadro de chororo ainda persiste, mas com ligeiras melhoras. Estou em vias de ter uma sincope nervosa. Aproveito esse espaço para dizer que estou na área e quem puder me ver, ou tiver muito tempo para me ver, venha ou me espere. Tenho vontade de visitar toda a gente, mas não estou podendo planejar encontros, pois corro o risco de falhar e depois me sentir muito mal. Não tenho o telefone de todos, portanto, fiquem à vontade para me procurar. Ficarei imensamente feliz e minha alma se regozijará (ai como é difícil dizer isso!). Fica aqui novamente o meus mais profundo lamento às pessoas que não pude ver nessa ocasião.

Férias, here we go!

Aproximam-se minhas férias e a famosa angústia se apodera dos espaços em torno da pergunta “o que eu vou fazer para aproveitar o tempo?” Apesar de gostar de que as coisas aconteçam, sem planos e datas, ainda assim sou violada mentalmente por esse questionamento. Acho que vou aderir ao dolce farniente sem culpa nenhuma. Para mim, ter tempo para dormir, não ter hora para comer, não se preocupar com o que vestir, jantar e almoçar com o meu marido, que é coisa rara, já é extremamente divertido. Gosto de viajar. Isso não posso negar, mas não posso negar que também é muito stressante pensar em tudo meses antes, enfrentar filas homéricas em aeroportos, encontrar alojamento, reunir a macacada e a papelada, preparar roteiro, esforçar-se para que todos gostem de tudo… ai. Já estou cansada só de pensar que, além disso tudo, o calor tira toda a inspiração e energia da pessoa. Depois, quando vemos fotos e vídeos, fica aquela doce recordação de mais uma experiência vivida e a sensação de que tudo foi fácil, divertido, e não vemos a hora de partir novamente.